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Schultz falou contra Syriza, agora apoia ‘amigo’ Costa

Martin Schulz foi feroz nas críticas à Grécia quando Alexis Tsipras convocou um referendo para saber se os gregos queriam ou não que continuasse a negociar em Bruxelas. Agora, admite que gostaria de ver o ‘amigo’ Costa no governo de Portugal e acha natural que o PS procure soluções à esquerda.

“É absolutamente normal que o líder e um partido de esquerda tente encontrar aliados à esquerda”, disse à RTP o presidente do Parlamento Europeu.

Schulz diz que “é muito difícil” neste momento tanto à PàF como ao PS encontrar soluções de governo e sublinha até que, na qualidade de presidente do Parlamento Europeu, não deve ter alguma reserva ao pronunciar-se sobre estas matérias. Mas não resiste a admitir que gostaria de ver o “amigo” António Costa no governo.

 

Schulz queria um ‘governo de tecnocratas’ na Grécia

Não é a primeira vez que Martin Schulz faz declarações sobre a forma como são tratadas questões de política interna dos países, mas a compreensão revelada pelas pontes à esquerda que António Costa está a tentar estabelecer com o PCP e o BE contrasta com os comentários feitos à política do Syriza na Grécia.

Na altura do referendo grego, Schulz defendeu a necessidade de assegurar a estabilidade durante o período até às eleições através da nomeação "um governo de tecnocratas” que permitisse a continuação das negociações entre a Grécia e os credores.

Martin Schulz defendia, então, abertamente a demissão de Tsipras. "Será imperativo realizar novas eleições se o povo grego votar a favor do programa de reformas e, portanto, a favor da manutenção na Zona Euro, e que (o primeiro-ministro grego, Alexis) Tsipras, de forma lógica, se demita", disse numa entrevista ao diário económico alemão Handelsblatt.

 

PS tenta contrariar pressão de Durão Barroso

A atitude de Schulz agora perante a possibilidade de Costa formar governo com apoio da esquerda está a ser usada pelo PS como uma forma de mostrar que essa solução não tem necessariamente a resistência de Bruxelas.

A ideia é contrariar a perceção que ficou depois das declarações de Durão Barroso ao Diário Económico, que alertava para os riscos deste tipo de solução governativa em termos europeus.

Nos últimos dias, Costa tem também tentado acalmar os mercados, para deitar por terra a teoria de que um governo PS com apoio do PCP e BE faria disparar os juros e cair as ações na Bolsa como tem sido sugerido por alguns analistas.

 

Costa tenta acalmar Europa e mercados

Para o conseguir, Público conta que António Costa reuniu com o presidente da Bolsa de Lisboa para tentar perceber qual a melhor forma de passar essa mensagem. E fez também várias declarações a órgãos internacionais como a Reuters e a France Presse para passar uma imagem de estabilidade.

Essa mesmo terá sido a mensagem que Costa levou ontem à reunião com os embaixadores da zona euro.

“Tratou-se com efeito de uma conversa confidencial que serviu para informar os presentes sobre as avaliações do Secretário Geral António Costa relativamente à situação actual", comentou ao SOL o embaixador alemão em Lisboa, admitindo que “as eleições em Portugal e os passos que se estão a dar com vista à formação do Governo encontram também na Alemanha grande interesse”.

Na mesma linha, a Embaixada de Espanha não dá pormenores sobre a conversa com Costa, mas admite que os responsáveis espanhóis estão “muito atentos” ao que se está a passar em Portugal. Com eleições à porta e a possibilidade de não haver também em Espanha uma maioria clara, Lisboa é por estes dias um centro interessante para Madrid.

margarida.davim@sol.pt