Sociedade

Homicida de Salvaterra fez cura de sono na prisão

Daniel Neves, o adolescente que confessou ter morto Filipe Diogo, de 14 anos, em Salvaterra de Magos, fez uma cura de sono no Estabelecimento Prisional de Leiria, onde foi detido preventivamente há cinco meses. O tratamento destinou-se a ajudar a combater a ansiedade da dependência de estupefacientes.

Aliás, tudo indica que o consumo e a venda de droga terão tido influência no crime. Segundo o SOL apurou, o apartamento onde Filipe foi morto, no 4.º andar de um prédio no centro de Salvaterra de Magos, onde o homicida já vivera, era conhecido como «o spot» por ali se traficar e consumir estas substâncias. O homicídio, que aconteceu a 11 de maio deste ano, está ainda a ser investigado, aguardando-se a qualquer momento a conclusão do relatório da autópsia.

Faz hoje 18 anos

Além de ser suspeito do brutal assassínio e de profanação de cadáver, Daniel é arguido em pelo menos outros quatro processos por furtos e assaltos, destinados a obter dinheiro para a compra de droga.

Segundo fonte próxima do jovem, nenhum destes casos chegou a julgamento. Mas é possível que o Ministério Público de Benavente possa pedir que os processos sejam julgados em conjunto, já que, além do adolescente, há outros três jovens que são arguidos em todas estas situações. «Pode ser uma solução por uma questão de economia processual, pois há arguidos e testemunhas comuns», explica aquela fonte.

Daniel já fez 18 anos, mas a maioridade não terá implicações na forma como será julgado. Fonte próxima da família adianta que quando cometeu os crimes, o jovem era menor, estando sujeito à lei tutelar educativa. E também não implicará, pelo menos para já, uma mudança do estabelecimento onde o homicida está detido: a prisão-escola de Leiria, destinada a jovens até aos 21 anos.

Assaltos consecutivos

Nos assaltos, Daniel atuava com um grupo de jovens de Samora Correia, Salvaterra e Benavente entre os 14 e os 23 anos. O último furto ocorreu em dezembro de 2014, na Escola de Formação Profissional de Salvaterra, onde o adolescente estava inscrito no curso de Eletrónica. Roubou um computador portátil e deixou de aparecer na escola. Dois meses antes, tinha assaltado a casa da mãe de uma antiga namorada. A mulher apresentou queixa contra Daniel que acusa de lhe ter levado dinheiro.

Daniel é também acusado de, em dezembro de 2013, ter roubado um carro. Nesse mesmo mês, o veículo foi usado para assaltar um snack bar na região, de onde o jovem e outros arguidos levaram a máquina de tabaco e a de café. Já anteriormente o jovem tinha sido condenado por furto qualificado e tráfico de droga, tendo cumprido a medida de internamento em Benfica, no Centro Educativo Navarro de Paiva, onde esteve 18 meses em regime semiaberto.

Avaliado por perito

Na prisão de Leiria, Daniel está a receber apoio dos psicólogos da prisão. Estará também, apurou o SOL, a ser alvo da avaliação psicológica por um especialista externo à instituição, respondendo a um pedido inicial da defesa está a avaliar a sua personalidade e capacidade para depor em tribunal.

Para se manter ocupado na cadeia, o adolescente tem-se dedicado a fazer trabalhos de construção civil no estabelecimento prisional. Só no início de novembro, quando se completarem seis meses da sua prisão preventiva, Daniel saberá se continua a aguardar a acusação na prisão. Na primeira revisão da medida de coação, feita em agosto, o alarme social foi o principal motivo invocado para o manter atrás das grades, garante fonte próxima do processo.

Em Salvaterra, o crime não foi esquecido. O SOL sabe que a mãe de Daniel, que tem mais dois filhos menores, fez várias tentativas para reabrir o café O Jardim, que explorava no rés-do-chão do prédio onde Filipe vivia com a avó. Mas a intenção de regressar ao emprego no estabelecimento esbarrou na reação da população. Por isso, decidiu deixar o espaço, que já foi trespassado, e está agora a trabalhar na agricultura.

joana.f.costa@sol.pt