Opiniao

Lobo Antunes escreve sobre Espíritos Santos

No meio da confusão política em que o próximo passo pertence agora ao Presidente Cavaco, e enquanto o PS vai apreciando nas suas reuniões os passos de António Costa, o novo livro de António Lobo Antunes, intitulado ‘Da Natureza das Coisas’, é a grande novidade literária nacional (ao lado do Premio Saramago ganho por Bruno Vieira do Amaral). Consta (o livro de Lobo Antunes), ao que se diz, de uma saga de várias gerações de banqueiros, desde o caminho para o poder e riqueza, até à queda total.

A verdade é que Lobo Antunes, um escritor pelo qual não me perco em demasia (passei a vida a ouvir dizer que o livro seguinte, o último a sair, é que era realmente bom, mas ele lá conseguiu um bom marketing sempre), e que se diz achar-se pessoalmente com direito ao Prémio Nobel da Literatura (a Academia Nobel ainda tem, pelos vistos, critérios mínimos, mesmo que não esteja sempre de acordo com ela; aliás, o estar em desacordo, até agora, nunca foi entender que um galardoado não é um grande escritor, mas apenas lamentar que outros não tenham sido galardoados), conseguiu já uma coisa notável: cada livro seu é um acontecimento neste nosso pequeno mundo português. É verdade que outros escritores, que ele e eu (muito mais do que a ele) certamente desprezamos e não lemos, também conseguiram o mesmo, e talvez até mais ainda.

Mas vamos aos factos: pare este livro parece ter valido a pena o seu casamento com uma Espírito Santo (a ex-ministra da Cultura Mª João Espírito Santo Bustorff daSilva). Ao menos conheceu de perto a família de uns banqueiros nacionais que, numa saga de 4 gerações, subiram aos píncaros da riqueza e do poder nacional, para caírem em alguma desgraça (pelo menos de poder).