Sociedade

Bruxelas patrocina projeto para proteger aves em extinção no Douro

O britango e a águia-perdigueira estão em perigo de extinção, tanto em Portugal como em Espanha. E são precisamente estas aves que o LIFE Rupis, um dos mais recentes projetos cofinanciados pela União Europeia (UE) a decorrer em território português e espanhol, deverá proteger – mais concretamente na Zona de Proteção Especial (ZPE) do Douro Internacional e Vale do Rio Águeda e na ZEPA de Arribes del Duero, no ‘outro lado’ da fronteira. 

O britango e a águia-perdigueira estão em perigo de extinção, tanto em Portugal como em Espanha. E são precisamente estas aves que o LIFE Rupis, um dos mais recentes projetos cofinanciados pela União Europeia (UE) a decorrer em território português e espanhol, deverá proteger – mais concretamente na Zona de Proteção Especial (ZPE) do Douro Internacional e Vale do Rio Águeda e na ZEPA de Arribes del Duero, no ‘outro lado’ da fronteira. 

Com duração de quatro anos, o projeto coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) pretende implementar “ações para aumentar as populações de águia-perdigueira e britango no Douro transfronteiriço, reduzindo a elevada mortalidade destas aves e, simultaneamente, aumentando o seu sucesso reprodutor”, explicou hoje a SPEA em comunicado.

O britango é o abutre mais pequeno da Europa. Está classificado como ‘Em Perigo’ em território europeu, onde as suas populações diminuíram para metade nos últimos 40 anos, e onde se registou uma elevada perda de habitat.

Quanto à águia-perdigueira tem o estatuto de ‘Quase Ameaçada’ na Europa, devido ao decréscimo populacional e à pressão sobre as suas populações. Na área abrangida pelo projeto existem 13 casais de águia-perdigueira e uma das mais importantes populações de britango da Península Ibérica, com 116 casais.

A SPEA nota que o LIFE Rupis “destaca-se por ser um projeto com ações concertadas dos dois lados da fronteira”.


Alimento, luta contra venenos e mais de mil hectares para aves

Entre as várias ações destaca-se a alimentação artificial dirigida ao britango, “baseada numa rede de alimentadores fixos e móveis, que irá permitir o aumento da disponibilidade de alimento perto dos locais de reprodução da espécie”.

E, pela primeira vez em Portugal, vão ser marcados britangos com emissores de satélite, para seguimento à distância e investigação dos seus hábitos dispersivos e migratórios.

Por outro lado, nos próximos quatro anos serão desenvolvidas ações pioneiras de combate ao uso ilegal de venenos, com equipas da GNR que utilizam cães treinados; corrigidas linhas elétricas com equipamentos anti-electrocussão e anti-colisão de aves dos dois lados da fronteira; e ainda elaborado um “plano de ação transfronteiriço para a conservação do britango”.

No total, serão geridos mais de mil hectares de habitats importantes para as espécies alvo e criada uma cerca móvel para alimentação de aves necrófagas, para reforçar territórios com escassez acentuada de alimento.

O coordenador do projeto, Domingos Leitão, espera bons resultados ao nível das populações das espécies alvo, mas garante que esta não será a única mais-valia para a região do Douro Internacional: “serão promovidas a agricultura e o pastoreio tradicionais, bem como os seus produtos e serviços”, explica o responsável da SPEA, acrescentando que a aposta se repercutirá “na promoção  do Douro Internacional, através do turismo de natureza e dos produtos de qualidade, que serão motores da conservação da natureza após o seu terminus”.

sonia.balasteiro@sol.pt