Cultura

Televisão a pedido do freguês não é só Netflix

A Netflix chegou nesta quarta-feira a Portugal e o panorama televisivo já está a mudar muito, com serviços de programas via internet a serem disponibilizados pelas operadoras tradicionais. Para já, o Netflix está disponível também para os clientes da Vodafone TV, o que é, segundo Reed Hastings, o presidente da empresa norte-americana, algo que tem acontecido sempre que o serviço entra num país europeu: “É uma parceria que tem funcionado bem e, por isso, existe também em Portugal”.

Quanto à NPlay (o dispositivo de pesquisa em arquivo da Nos, existente desde setembro), Hastings referiu numa mesa-redonda com jornalistas, no dia do lançamento, que é natural que os operadores e os meios de comunicação reajam com novas soluções de televisão não linear. “No Reino Unido, a BBC mudou, sendo agora muito mais um serviço de internet. A concorrência é saudável para todos e em especial para o consumidor. E é uma prova de que a televisão de facto está a mudar. E nós estamos a acelerar essa mudança nos países em que entramos”.

Como é que a Netflix conseguirá sobreviver e estar em todo o mundo no final de 2016 com esta concorrência que se desenha? “Estamos muito focados em produzir as melhores séries e filmes, com produtoras locais em muitos casos, e ao mesmo tempo em garantir que o nosso serviço é muito bom e em condições técnicas excelentes”.

Para quem já acedeu ao serviço - que durante um mês será gratuito e depois custará entre 7,99 euros e 11,99 euros - e estranhou a dimensão reduzida do portefólio, Ted Sarandos, diretor de conteúdos da Netflix, que também se deslocou a Lisboa, disse que ele irá crescer continuadamente: “O que estará disponível para streaming daqui a um mês será muito mais do que o que esteve hoje”.

Narcos pode ser a série preferida em Portugal

Todas as séries, filmes e documentários (que estão disponíveis para ver em vários ecrãs, incluindo smartphones, na altura que o cliente quiser)  são legendados em português de Portugal ou, no caso de alguns formatos infantis, dobrados.

Até ao final de 2015, segundo Ted Sarandos, a Netflix terá produzido 400 horas de filmes e séries que serão disponibilizados para todos os 68 milhões de assinantes em todo o mundo. E também está a produzir longas metragens - como a que Angelina Jolie está a realizar e War Machine, o projeto mais caro de sempre da Netflix, com Brad Pitt.

Sem querer revelar números, Reed Hastings disse apenas que “está muito satisfeito” com o nível de adesão dos portugueses ao serviço, no próprio dia do lançamento. Narcos - a série sobre Pablo Escobar “realizada por um brasileiro, José Padilha, produzida pela francesa Gaumont, rodada na Colômbia com um elenco internacional e protagonista brasileiro” - será provavelmente “uma das mais populares em Portugal”.

As alternativas Nos Play e Foxplay

Antecipando a chegada da Netflix, em setembro a  Nos lançou o NPlay - um serviço  que pelo preço de 7,50 euros mensais (mais barato que a tarifa mais baixa da Netflix) permite aceder ao seu arquivo, o qual inclui “milhares de filmes, séries e conteúdos infantis, tudo em HD”. A disponibilização dos seis filmes da saga Star Wars (o próximo estreia em dezembro) é o destaque deste serviço que será gratuito durante três meses para os clientes Nos com a consola Íris (começou a 7 de setembro).  A operadora promete renovar o portefólio regularmente e os conteúdos poderão ser vistos diretamente no aparelho de televisão e também em tablet, computador ou smartphone.

A Fox também refrescou, entretanto, a sua estratégia de mercado em direção à televisão do futuro. Mantendo os seus canais lineares no cabo, oferece desde a passada semana o Fox Play, disponível para os clientes da Vodafone TV e também descarregável para dispositivos móveis. O serviço, gratuito, permite ver temporadas antigas de várias séries licenciadas pelos canais Fox, como Walking Dead, Empire, Anatomia de Grey.

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