Sociedade

Lisboa quer acabar com sacos de plástico nos bairros históricos

O município de Lisboa informou hoje que pretende, até 2020, acabar com os sacos de plástico na recolha de lixo diferenciada e seletiva nos bairros históricos, estando a ser estudadas alternativas como a criação de pequenos contentores subterrâneos.

"Temos consciência de que os sacos de plástico não são a melhor solução, embora tenhamos cuidado quando compramos os sacos [para distribuir pelos munícipes], porque compramos os que têm menos poluentes, quer para a recolha diferenciada quer para a recolha seletiva nos bairros históricos", afirmou à agência Lusa o diretor municipal de Higiene Urbana, Rui Lourenço, estipulando a meta de inverter esta realidade "antes de 2020".

O responsável, que falava no final de um encontro sobre o Plano Municipal de Gestão de Resíduos, promovido pela agência municipal de energia e ambiente Lisboa E-Nova, admitiu que "não é fácil encontrar outra forma de recolher os resíduos nesses bairros", mas deu conta de estarem a ser estudadas alternativas como a fixação de contentores subterrâneos de pequenas dimensões nestes locais.

"Reconhecemos que o saco de plástico não é ambientalmente sustentável", reforçou, adiantando que a Câmara gasta anualmente 300 mil euros com estes sacos.

O Plano Municipal de Gestão de Resíduos 2015-2020, o primeiro em Lisboa, surge no seguimento da reforma administrativa concretizada no ano passado e da autonomização da tarifa de resíduos, no início deste ano.

Em julho passado, aquando da apresentação do documento, o vice-presidente da autarquia, Duarte Cordeiro, anunciou que a Câmara quer atingir uma taxa de reciclagem de 42% até 2020 (no ano passado rondava os 31%), diminuir 10% a produção de resíduos e ainda aumentar a recolha seletiva por ano e por habitante para 66 quilos (em 2014 era de 60).

Os objetivos já têm em conta o Plano Estratégico para os Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU) 2020.

Para os atingir, o município defende o alargamento da rede de receção de resíduos, pelo que irá construir ecopontos enterrados em 100 diferentes locais e criar dois ecocentros.

Desde 2003, que a recolha seletiva porta a porta -- através de contentores colocados dentro dos prédios -- abrange também o papel, cartão e embalagens e não só o lixo indiferenciado.

A Câmara pretende agora alargar este sistema a 20 mil fogos por ano até 2020 e, com isso, aumentar os níveis de reciclagem, que têm vindo a crescer desde 1991.

Além deste plano, a autarquia (de maioria PS) está a rever o Regulamento de Resíduos Sólidos da Cidade de Lisboa, datado de 2004, para "traduzir a realidade" atual do concelho, concluiu.

Lusa/SOL