Politica

Primeiro round no Parlamento: esquerda 'bloqueia' trabalhos e anula jogada da coligação

A conferência de líderes foi "dura" e acabou com PSD e CDS a acusar PS, PCP e BE de bloquearem o arranque dos plenários na Assembleia da República.

A estratégia da coligação era trazer o debate para o Parlamento obrigando a uma discussão sobre o Tratado Orçamental e o euro.

PSD e CDS queriam assim expor eventuais divergências na coligação que se está a formar à esquerda, mas cujas reuniões ainda decorrem para chegar a um acordo.

A estratégia foi, porém, barrada por essa mesma maioria de esquerda que recusou agendar o debate de um texto que não tinha sequer dado entrada na Assembleia e quando até agora o normal é que os trabalhos se iniciem com o debate do programa do Governo.

Razão suficiente para Pedro Filipe Soares, do BE, acusar a coligação de direita de "chicana política".

Luís Montenegro do PSD considerou, por seu lado, "curioso que alguns destes partidos invocassem a tradição". Montenegro defende que "o país não pode ficar na incerteza" e apelou à esquerda para trazer a público os resultados das reuniões que decorrem entre PS, BE e PCP.

"Deviam era dizer ao país exatamente o que pensam", desafiou, lembrando que "ainda hoje no Parlamento Europeu o PCP e o BE sustentam a rejeição do Tratado Orçamental".

"Nada é debatido nem nada se sabe", atacou o líder centrista, Nuno Magalhães, ao mesmo tempo que PS, PCP e BE defendem que "não há nenhum bloqueio".

Já Ana Catarina Mendes acha que PSD e CDS queriam "inverter" as regras do Parlamento e debater "o programa do próximo governo" em vez do programa do Governo que foi indigitado pelo Presidente da República.

margarida.davim@sol.pt