Sete dúvidas sobre o alerta da OMS

O alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre as carnes processadas está a causar alarme e dúvidas sobre os reais riscos destes alimentos. O SOL explica-lhe as conclusões do estudo e as questões que mais estão a preocupar os consumidores.

O que é a carne processada?

É toda a carne sujeita a um processo de transformação ou conservação, de cura ou fermentação ou a qualquer manipulação para melhorar a sua conservação e sabor. Falamos de salsichas, enchidos, fiambre, bacon ou presunto, carne em conserva mas também de hambúrgueres ou quaisquer refeições à base de carne que contém conservantes ou intensificadores de sabor.

Quais são as carnes vermelhas?

As dos mamíferos como a vaca, o porco, o carneiro ou a cabra.

Ambas têm o mesmo risco para a saúde?

Não. Por cada 50 gramas de carne processada por dia, há um aumento de 18% do risco de risco de cancro colorretal, dizem os peritos da OMS. Já no caso das carnes vermelhas, a evidência científica é mais limitada. Ou seja há estudos que mostram que o seu consumo provoca cancro, mas não há certezas sobre se foi o consumo a principal causa para o desenvolvimento da doença.

Comer bacon é tão mau como fumar?

Não. O facto de os dois produtos terem a classificação de cancerígenos significa que ambos provocam cancro, mas não que o risco de desenvolver a doença seja o mesmo para os dois. No caso do cigarro o risco é muito maior.

Há mais cancros associados a estes alimentos?

No caso da carne processada, o grande impacto é no desenvolvimento de cancro colorretal, apesar de haver também dados (menos conclusivos) que apontam para uma relação com o cancro do estômago. Já no caso da carne vermelha, a associação mais forte é para a relação com o cancro colorretal. No entanto há também suspeitas de que pode contribuir para tumores da próstata e do pâncreas.

Quantas mortes estão associadas ao consumo?

Os peritos da OMS citam estimativas do Global Burden Disease para calcular que todos os anos 34 mil mortes por cancro no mundo são consequência de uma dieta rica em carnes processadas. Em Portugal não há dados sobre este impacto.

Devemos tornar-nos vegetarianos?

Os peritos sublinham que comer carne tem benefícios para a saúde e que por isso estes alimentos não devem ser pura e simplesmente banidos. Quer a Direção-Geral da Saúde, quer a Comissão Nacional de Segurança Alimentar falam em moderar o consumo.

joana.f.costa@so.pt