Sociedade

Why not voluntariado?

“Foi difícil dizer olá e adeus”. Assim resumiu Inês Atienza a experiência de voluntariado que teve com a amiga Joana Lucas, durante nove semanas pela Ásia fora. Com a ajuda da AIESEC, instituição que promove programas de voluntariado e estágios profissionais no estrangeiro, as recém-licenciadas na área da comunicação decidiram embarcar nesta aventura depois de terminarem o curso. E sim, bem sabemos que os leitores desta nossa página provavelmente ainda não frequentam a universidade, mas segundo estas duas jovens o voluntariado é algo que toda a gente, de qualquer idade, pode fazer. E já iremos ao porquê.

Uma viagem que deu um livro

O livro da autoria de Inês Atienza e Joana Lucas, com o título Why not Asia?, [Por que não na Ásia?] publicado pela Chiado Editora em 2015, resultou nada mais, nada menos, de uma página de Facebook com o mesmo nome, onde todos os dias partilhavam com os familiares e amigos as novidades e as descobertas que iam fazendo na Malásia. A casa das duas foi, durante as primeiras cinco semanas, o orfanato Good Sheperd Family Home, localizado em Kuala Lumpur, onde deram aulas às 23 crianças e adolescentes, cuja maior parte não tem família. “Fomos muito felizes no orfanato. Aquelas semanas passaram a correr!”.

Mas Inês reconhece que no inicio foi “um choque cultural”. “Sofremos bastante com a comida, que era sempre picante, todos os dias estavam 40ºC. Mas passado umas semanas aquilo já fazia parte da nossa rotina e conseguimo-nos adaptar”, conta à Tabu.

Apesar de tudo, foi um processo de enriquecimento cultural e também de conhecimento. Aprenderam malaio, uma vez que “tamil era impossível”, devido à dificuldade extrema em desenhar e ler os respetivos caracteres. E os meninos malaios aprenderam o abecedário português, a dizer ‘gosto de ti’, ‘olá’ e ‘adeus’ na nossa língua, para além de Joana e Inês lhes terem ensinado a fazer a reciclagem, a falar inglês e a ajudar com os trabalhos de casa de todas as disciplinas.

O bom do voluntariado

Inês confessa que nunca durante a sua infância sonhou fazer voluntariado. “E fui logo ter a minha primeira experiência para o outro lado do mundo”, ri-se. O que mais a atraiu foi mesmo o facto de poder trabalhar com crianças mais desfavorecidas e poder fazer a diferença. “Eles têm muito pouco na vida deles, já passaram por muito. E é bom poderem ter contacto com outras pessoas, de outras partes do mundo. Tenho a certeza que estes momentos lhes trazem algo”.

Hoje, as duas não se arrependem de terem ido para tão longe – pelo contrário: ambas sentiram que tudo valeu a pena quando descobriram que os meninos do orfanato tinham melhorado as notas e começaram a dominar o inglês - tudo graças a elas e à aventura pelo sudeste asiático que todos pensavam ser uma loucura. E mais: sentem-se profundamente gratas. “Sinto que vim de lá uma pessoa diferente, com uma perspetiva do mundo e com os meus horizontes abertos. Sinto que a nível pessoal e profissional se tornou tudo mais fácil”.

Com toda a confiança, acredita que fazer mais projetos de voluntariado é algo que irá realizar de certeza no futuro. “A principal lição que retirei é que todos podem ajudar o outro e dar-lhe uma oportunidade de crescer, sem nenhuma razão especial. Passarmos algum do nosso tempo com pessoas que são diferentes de nós, mas iguais ao mesmo tempo. Se podemos fazer de facto a diferença, por que não? Pode ser que até surja outro ‘Why not’ qualquer coisa’”. E se a sua amiga Joana Lucas estivesse também a ser entrevistada, Inês não duvida que ela diria o mesmo. É que graças a este voluntariado, Joana está a estudar no Brasil, na Miami Ad School. “É extremamente difícil entrar lá, mas assim que souberam do livro disseram-lhe que já tinha lugar garantido”.

simoneta.vicente@sol.pt