Desporto

Golfe:Ricardo Melo Gouveia arranca forte em 2º

Ricardo Melo Gouveia fez ontem (quarta-feira) uma volta quase perfeita e assumiu publicamente que não veio apenas a Omã para tornar-se no primeiro nº1 do ranking do Challenge Tour de nacionalidade portuguesa, mas também para conquistar o seu segundo título do ano na segunda divisão do golfe profissional europeu.

«Estou a visar o topo da classificação. O meu objetivo é ganhar o evento», sublinhou o algarvio de 24 anos, depois de ter saltado para a 2ª posição da NBO Golf Classic Grand Final, o torneio de 375 mil euros em prémios monetários, que hoje arrancou no Almouj Golf, em Muscat, com deslumbrantes vistas do mar arábico.

O representante do Team Portugal cumpriu a primeira volta em 67 pancadas, 5 abaixo do Par, a sua melhor volta em dois anos neste percurso desenhado pelo antigo nº1 mundial Greg Norman, ficando a apenas 1 “shot” do líder, o dinamarquês Joachim B. Hanson, que este ano já tinha comandado aos 18 buracos a edição do Madeira Islands Open BPI que viria a ser cancelada e adiada devido ao mau tempo.

Mas se o campeão nacional amador de 2009 falou hoje do título, nas semanas anteriores tinha referido sobretudo a emocionante luta pelo nº1 da Corrida para Omã, o posto que ocupa e que será decidido no Domingo.

Nesse combate entre quatro pretendentes, foi o português a levar a melhor no primeiro dia, já que o nº2 do ranking, o francês Sebastien Gros, está empatado no 6º lugar a 2 pancadas de Gouveia; o espanhol Borja Virto Astudillo, o nº3, surge no grupo dos 22º classificados entre 45 participantes, a 4 de Gouveia; e o sueco Bjorn Akesson, o nº4, foi o que mais se aproximou, aparecendo logo em 3º empatado, a 1.

«Estou bastante entusiasmado. Vai ser uma batalha até ao fim. O Sebastien (Gros) jogou bem hoje e é provável que tudo vá resumir-se ao último putt do último buraco», declarou o campeão do AEGEAN Airlines Challenge Tour by Hartl Resort, este ano, na Alemanha.

Amanhã, na segunda volta, o profissional do Guardian Bom Sucesso Golf volta a sair no último grupo, às 10:04, desta feita ao lado de Joachim B. Hansen e de James Robinson.

4 Razões para a volta quase perfeita

A primeira volta de Ricardo Melo Gouveia foi quase perfeita, não por ter feito birdies em todos os buracos, mas por múltiplas razões.

Em primeiro lugar pela já referida vantagem com que ficou diante dos seus perseguidores no ranking do Challenge Tour, embora não possa descuidar-se.

Em segundo lugar porque, tecnicamente, foi um poço de consistência e quem o vê jogar fica impressionado por o swing ser sempre o mesmo – um autêntico metrónomo!

«Ele não falhou uma única pancada», disse, admirado, o espectador Andrés Navarra, um brasileiro de São Paulo, residente em Omã, que o acompanhou os 18 buracos, tendo criado amizade com Tomás Melo Gouveia, o pai do jogador, quando Ricardo veio jogar pela primeira vez ao sultanato em 2014.

Na realidade, o português melhor classificado nos rankings mundial (115º) e olímpico (37º) falhou uma pancada e é por isso que foi quase perfeito. Na saída do buraco 17, o penúltimo, a bola foi parar à direita ao fairway do 10, ficando com uma segunda pancada complicada, com uma duna pela frente, sem visão do green, tendo pelo meio um obstáculo de água frontal. Para mais, estando no buraco do lado, não tinha maneira de calcular com rigor a distância da bandeira.

«A saída no 17 foi o único shot que realmente falhei durante o dia todo – reconheceu – porque joguei muito sólido, bati bem na bola. Mas nesse shot senti que a mão direita escorregou-me do taco devido ao calor que se fez sentir. O segundo “shot” foi sem dúvida o mais difícil do dia. Conseguia ver a bandeira mas sabia que não tinha margem de erro, tinha de ser perfeito ou quase perfeito. Tive de voltar ao outro fairway, ter calma, ver a distância depois de um bunker e certificar-me de que tinha a distância correta, porque qualquer erro poderia custar caro».

Pois bem, a bola foi parar à gola do green. O pior estava ultrapassado, ao tirar todos os obstáculos em jogo, mas ainda poderia perder uma ou duas pancadas: «Não era um putt fácil. Tinha uns 20 metros para a bandeira, a descer. Mas o putt importante foi o segundo para salvar o Par, também a descer, de uns 3 metros – saiu ao meio do buraco e quando bati na bola sabia que o tinha metido».

Ricardo Melo Gouveia tinha avisado na véspera que um dos segredos do seu sucesso este ano tem sido fazer resultado mesmo quando não joga perfeito e isso desencoraja os outros.

A terceira razão para uma volta quase perfeita é que só três jogadores completaram os 18 buracos sem sofrer qualquer bogey: o inglês James Robinson (em 3º, com -4), o sueco Pontus Widegren (em 11º com -2) e… Ricardo Melo Gouveia!

«Estou muito contente com a volta de hoje. O Pro-Am de ontem não me tinha corrido de feição, não estava muito confiante a bater na bola, mas hoje consegui recuperar a confiança com bons shots e alguns bons putts», explicou, depois de 5 birdies.

Poderiam ter sido mais: «Nos primeiros nove buracos tive putts muito perto do buraco. Nos primeiros seis ou sete buracos tive 6 putts de 3 metros para dentro para birdie. Estava a colocar bem a bola perto do buraco e estava a dar bons putts, só que não estava a ver bem as linhas. Mas sabia que se continuasse a jogar assim os putts iriam acabar por cair e foi o que aconteceu».

Com efeito, o primeiro birdie só veio no buraco 5, o tal Par-3 com o green numa ilha que é o preferido do português. Isso motivou-o para outros birdies nos buracos 8, 9, 12 e 13. E no 15 teve pouca sorte, pois a bola ficou a um dedo de entrar depois de um putt espetacular: «Foi um putt de cerca de 15 metros. Pensava que a bola iria ficar curta, por isso quando a bola ia a meio disse para a bola andar, mas chegou ao buraco e mesmo no fim caiu do nada para o lado direito e não entrou. Era o putt que supostamente iria dar-me a liderança empatado com o Hanson».

A quarta e última razão para a volta quase perfeita foi porque estrategicamente deixou-o em vantagem no caso de o tempo piorar. Ricardo não se esqueceu de que em 2014 os ventos do deserto fizeram-se sentir e bem em Muscat: «O dia de hoje esteve quase sem vento, o que não é natural aqui, e sabia que os resultados iriam ser baixos por causa disso. Por isso, para conseguir estar lá em cima (da classificação), teria de fazer uma boa volta e foi isso que fiz».

 

Artigo escrito por Hugo Ribeiro ao abrigo da parceria entre a Federação Portuguesa de Golfe com o Jornal SOL.