Internacional

Uma portuguesa em Paris: ‘Anda polícia por toda a parte’ [fotos]

“É melhor estarem resguardados. Isto é como os sismos, pode haver réplicas”. As palavras avisadas em português, Margarida Teixeira de Sousa ouviu-as do compatriota e correspondente da RTP em Bruxelas. Destacada pontualmente para trabalhar numa seguradora em Paris, a jovem “não quis estar fechada no hotel” nos Grands Boulevards e saiu ao início da tarde de sábado, com um colega de trabalho, para “ver como as pessoas se comportavam com um acontecimento destes”. Encontraram António Esteves Martins que estava, como muitos outros jornalistas, a cobrir os ataques a partir de um dos epicentros da violência de sexta-feira à noite: a sala de espectáculos Bataclan.

Militares em frente a Notre Dame Margarida Teixeira de Sousa
Centro Pompidou fechado Margarida Teixeira de Sousa
No dia seguinte, Bataclan Margarida Teixeira de Sousa
Praça da República Margarida Teixeira de Sousa
Junto ao Pompidou Margarida Teixeira de Sousa

“Está tudo fechado. Monumentos, jardins, centros comerciais. E ainda se ouve sirenes por todo o lado”, conta ao SOL no rescaldo do dia seguinte, num país em estado de emergência – uma medida que não era accionada desde 2005, quando houve motins em vários subúrbios de cidades francesas, incluindo Paris.

“Anda polícia por toda a parte, militares com metralhadoras a patrulhar as zonas turísticas. No hotel onde estou muita gente foi embora com medo”, adianta Margarida. O estabelecimento, junto ao Hard Rock Café Paris, já sofre as consequências que provavelmente se multiplicam por outras unidades hoteleiras da capital francesa: informam-na de que “estão a ser canceladas reservas de todo o mundo, até reservas de agosto de 2016!”.

Ontem, sexta-feira 13, Margarida estava a sair do restaurante perto do hotel quando recebeu uma chamada aflita da mãe, de Lisboa. O momento cristaliza-se no registo do telemóvel: 22h37, fuso de Paris, mais uma hora do que Portugal continental. “Não me tinha apercebido de nada, vim logo para o hotel porque vi as pessoas a correr em pânico, sirenes, polícia e ambulâncias a passarem nos Grands Boulevards”.

Fez da receção a base – o quarto estava sem sinal de televisão. A ela e ao colega juntaram-se outros hóspedes para ver as notícias. “Tudo assustado”, espanhóis, americanos, irlandeses, ingleses, um casal português. “Um grupo de espanhóis entrou e não percebeu o que se estava a passar. Perguntaram e ficaram assustados”. Pelo ecrã da televisão foi sabendo o que acontecia em Paris, os ataques em cadeia em diversos pontos da cidade-luz. “Não saí mais. Só se ouvia sirenes, nesta rua estava tudo fechado e já não se via gente”. Na manhã seguinte, percebeu que muitos hóspedes já tinham abandonado o hotel.

Idêntico conselho escutou hoje de um funcionário do hotel, que lhe disse ter recebido a mensagem de um alto responsável da polícia parisiense: “Isto pode ser só o início”, uma ideia que ganha dimensão desde que o Presidente francês classificou os atentados de “ato de guerra”.

Margarida viu pouca gente na rua, hoje a caminho do Bataclan, a cerca de 20 minutos a pé do hotel. Na Praça da República – antes da sala de espetáculos – já “estavam a pôr flores e velas”, numa homenagem às vítimas dos múltiplos atentados, os piores em solo gaulês desde o final da II Guerra Mundial. “Nesta altura a praça já deve estar cheia”.

ana.c.camara@sol.pt