Sociedade

Antigo Hospital Militar reabre até março

A Misericórdia de Lisboa quer transformar o antigo Hospital Militar Principal na maior unidade de cuidados continuados e paliativos para adultos e crianças da capital. O edifício, que no verão foi adquirido ao Ministério da Defesa por 15 milhões de euros, vai abrir as portas até março para as primeiras consultas.

Além dos serviços clínicos, o antigo hospital militar vai ter um lar e uma creche Miguel Silva/SOL
Obras em dois pisos começam em breve Miguel Silva/SOL

Os responsáveis da misericórdia estão neste momento a estudar o melhor nome a dar à nova estrutura, que é conhecida entre os funcionários como hospital da Estrela. “Procuramos um nome que reflita a dimensão do espaço e a diversidade de serviços disponíveis”, adiantou ao SOL fonte oficial da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), lembrando que o hospital tem uma área de quase 16 mil m2.

Na semana passada, a direção do organismo nomeou um conselho consultivo de três personalidades para acompanhar e dar parecer sobre a instalação da unidade: o ex-ministro das Finanças e da Segurança Social, Bagão Félix, a ex-ministra da saúde Ana Jorge e a especialista em cuidados paliativos e deputada do CDS Isabel Galriça Neto.

O complexo de três edifícios - uma torre principal de 12 andares, da década de 1970, e outros dois edifícios mais pequenos e antigos - reunirá vários serviços, que vão abrir de forma faseada.

A maior aposta são os cuidados continuados e paliativos. Vai ser criada uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados, que responderá “às necessidades de envelhecimento de 200 mil lisboetas com mais de 65 anos, que têm hoje uma carência extrema” deste tipo de apoio, explica a mesma fonte. Em Lisboa, por exemplo, existem apenas dez unidades a prestar cuidados paliativos à população.

No novo hospital vai nascer também uma Unidade de Cuidados Integrados Pediátricos, destinada a crianças com doenças terminais ou crónicas. De acordo com a SCML, “não há hoje unidades pediátricas de cuidados continuados paliativos no país”, pois o projeto que existe da associação No Meio do Nada, uma Instituição Particular de Solidariedade Social, para criar, em Matosinhos, uma unidade deste tipo não avançou por falta de verbas.

No antigo hospital militar será também criado um espaço autónomo onde poderão dormir os pais dos menores internados. E está prevista a abertura de uma creche e a instalação de um lar de idosos. Além disso, haverá cirurgia de ambulatório e um serviço de atendimento permanente.


Recuperar custa 10 milhões

Será em dois pisos da torre de 12 andares na Rua de Santo António à Estrela que, no próximo ano, começam a ser feitos os primeiros atendimentos. “Serão realizadas aqui as consultas externas”, explica ao SOL a diretora do Departamento de Gestão Imobiliária e de Património da SCML, Helena Lucas, que diz que as obras de beneficiação dos dois pisos ficarão terminadas em janeiro.

Para já, a SCML não vai recrutar médicos para garantir as consultas de especialidades como cardiologia, ginecologia, neurologia, pneumologia ou pediatria. Numa primeira fase recorrerá aos clínicos e enfermeiros que trabalham nas 11 unidades de saúde que a SCML tem na cidade e arredores.

No total, os gastos com as obras de recuperação e com o equipamento deverão atingir os 10 milhões de euros.

joana.f.costa@sol.pt