Sociedade

Freiras e padre suspeitos de maus tratos em convento

Maus tratos, clausura forçada e escravidão. São estas as suspeitas que recaem sobre três freiras e um padre do Convento de Requião, em Vila Nova de Famalicão, que foram hoje constituídos arguidos na sequência de buscas feitas pela Polícia Judiciária. Segundo apurou o SOL, a denúncia partiu de três noviças que abandonaram a comunidade religiosa nos últimos três anos.

Ainda não eram sete da manhã quando 30 agentes da Polícia Judiciária entraram no convento da Fraternidade Missionária do Cristo Jovem para fazer buscas. Foram interrogadas as seis religiosas que vivem na comunidade, bem como o padre Milheiros, um dos seus fundadores, que também vive no convento e está atualmente doente. Três das seis religiosas, entre as quais duas das fundadoras da comunidade, foram consideradas suspeitas de maus tratos, escravidão e cárcere e vão ser presentes a tribunal na próxima segunda-feira.

O advogado da instituição, Ernesto Salgado, confirmou ao SOL as buscas e admitiu que a comunidade religiosa já conhecia as denúncias feitas pelas três freiras que saíram. Mas considerou que estas se devem a «diferenças ideológicas entre gerações», uma vez que as freiras que abandonaram o hábito eram muito mais novas do que as que permanecem no convento. Ernesto Salgado afirmou ainda que as religiosas que denunciaram os alegados maus tratos e abusos estiverem muitos anos na comunidade: a que saiu em 2013 esteve três anos, a que saiu no ano passado mais de cinco, e a última a abandonar o convento, já este ano, esteve 12 anos na congregação.  

Segundo apurou o SOL, a saída destas três religiosas da congregação não foi única. Ao longo dos 25 anos de existências desta organização religiosa, chegou a haver mais de 12 religiosas, embora atualmente só permaneçam seis. Umas saíram para outras ordens e as outras abandonaram definitivamente a vida religiosa, algo que é relativamente raro de acontecer.

O representante legal da instituição garante que estas religiosas não vivem em clausura e que a instituição «é aberta». O SOL confirmou que esta é uma comunidade muito pequena, que nunca chegou a ser constituída como uma congregação religiosa, mas que é reconhecida pela arquidiocese de Braga. Foi fundada pelo padre Milheiros e a única comunidade existente em Portugal é em Vila Nova de Famalicão. Contudo, a Fraternidade Missionário do Cristo Jovem está presente noutros países.

Por cá, as religiosas vivem numa propriedade de grandes dimensões e dedicam-se à produção de livros e publicações. Não têm participação na vida comunitária da paróquia local, apurou também o SOL.

rita.carvalho@sol.pt