Internacional

Bashar al-Assad acusa França de apoiar terroristas

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, denuncia a amizade da França com a Arábia Saudita e o Qatar e acusa Paris de "falta de seriedade" por ora combater, ora apoiar o terrorismo.

As declarações de Al-Assad constam de uma entrevista concedida ao semanário francês Valeurs Actuelles no sábado e divulgada hoje.

Para o chefe de Estado sírio, a França deve mudar de política e "baseá-la no único critério - e não em vários - de fazer parte de uma aliança que luta contra o terrorismo, e não de países que apoiam o terrorismo ao mesmo tempo que o combatem".

Al-Assad sugere ao seu homólogo francês, François Hollande, e ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, que sejam "sérios quando falam de luta contra o terrorismo", já que "não se pode combater o Daesh [acrónimo árabe que designa o Estado Islâmico (EI)] enquanto se é aliado do Qatar e da Arábia Saudita, que armam os terroristas".

Afirmando que sempre defendeu uma coligação internacional antiterrorista, o líder sírio garante ao Valeurs Actuelles que está disposto a colaborar na luta contra o EI mas não a "perder tempo" com países, governos e instituições que apoiam o grupo.

Bashar al-Assad considera ainda incompreensível que François Hollande critique a ausência de democracia na Síria quando mantém "boas relações e laços de amizade" com aqueles dois países árabes, e acrescenta que, se Hollande e Fabius "querem apoiar o povo sírio em prol da democracia, seria melhor que apoiassem o povo saudita".

No interesse do próprio povo francês, os governantes "deviam mudar de política", já que a política atual do Eliseu há cinco anos que não dá qualquer bom fruto, sendo disso "prova" os atentados de janeiro e os da passada sexta-feira em Paris, aponta Al-Assad.

Ao Valeurs Actuelles, o Presidente sírio acusa ainda a política francesa de falta de independência no que respeita aos Estados Unidos e diz que "a primeira coisa a fazer era voltar a uma política realista, independente e amiga do Médio Oriente e da Síria".

Lusa/SOL