Sociedade

PJ investiga ameaças à Península Ibérica

A Polícia Judiciária (PJ) está a avaliar as ameaças que fazem de Portugal e Espanha um alvo do Estado Islâmico, divulgadas num vídeo feito pela organização terrorista após os atentados de Paris.


“Estamos a avaliar toda a informação e outros materiais relacionados com ameaças terroristas”, explica fonte daquela Polícia, adiantando “que esta não é a primeira vez que o Estado Islâmico anuncia querer atuar contra a Península Ibérica”.

No filme, onde se veem as imagens dos ataques à capital francesa, a mensagem deixada pela organização terrorista é clara: Paris foi o alvo prioritário, “antes de Roma e antes de Al Andalus” (Península Ibérica). No mesmo vídeo, divulgado pela Europa Press, são também identificados como alvos a capital norte-americana e os países que estão a participar nos ataques aéreos à Síria.

Estas são ameaças “sérias”, que devem ser tidas em conta, avisa Rui Pereira, ex-ministro da Administração Interna e presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT): “Portugal não está a salvo de um atentado terrorista, embora o grau de ameaça seja maior em França”. “O Daesh, como organização terrorista que é, quer criar o pânico, mas as suas ameaças têm sempre uma lógica de concretização, de realização”, acrescenta.

Há uma semana que o país está em alerta, tendo apertado o controlo e as medidas de segurança nos aeroportos e reforçado o policiamento nas ruas em locais mais vulneráveis a ameaças, desde monumentos à Ponte 25 de Abril ou a embaixadas, como as de França ou dos EUA.

O presidente do OSCOT lembra que há legislação nacional muito recente que permite às autoridades atuar de forma eficaz na prevenção do terrorismo - nomeadamente, deter qualquer pessoa suspeita, que faça a apologia do terrorismo nas redes sociais ou até que viaje para a Síria.

Mas, salienta, Portugal destaca-se por ser o único país na Europa cujos serviços de secretos não podem fazer escutas preventivas em casos de terrorismo. “É uma limitação forte que impede que o país coopere bem a nível internacional”, acredita, salientando que a troca de informações entre as várias polícias é fundamental para prevenir novos ataques.


Meios reforçados

A Judiciária afetou mais meios para analisar a informação disponível sobre ataques terroristas, nomeadamente nas secções regionais da Unidade Nacional de Contra Terrorismo. O objetivo é avaliar novas e antigas ameaças à segurança nacional.

Neste momento há várias investigações abertas por suspeitas de terrorismo, confirma a Procuradoria-Geral da República, recusando avançar com qualquer outra informação.

A investigação no terreno nos últimos dias afastou já qualquer ligação ao país de Ismail Mostefai - um dos assaltantes que se fez explodir na casa de espetáculos Le Bataclan, em Paris, e que é filho de uma portuguesa natural de Póvoa de Lanhoso.

“Foi feita uma avaliação sustentada dessa situação e não há quaisquer raízes em Portugal”, garante ao SOL outra fonte da Judiciária, acrescentando que a mãe do jihadista, Lúcia Moreira, emigrou para França ainda em criança. Não deixou família na região e nem tem sequer documentos de identificação portugueses. O filho Ismail nunca teve ligações a Portugal.

Também não foram encontradas quaisquer ligações a eventuais radicais em território nacional por parte de Gima Her Calunga - o angolano que está a ser julgado desde ontem em Lisboa, como responsável pelo primeiro ataque do Estado Islâmico no país. Com ligações à Síria, foi apanhado no aeroporto da Portela na noite de 3 de julho de 2014, com uma faca de 21 centímetros, junto a um avião da companhia aérea angolana TAAG que se preparava para descolar. É acusado de ter pretendido sabotar os pneus da aeronave. “Agiu sozinho. Não tinha ligações aqui”, disse ao SOL a mesma fonte da Judiciária.

joana.f.costa@sol.ptGuardar e Fechar Artigo

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