Desporto

Dérbi: O terceiro é na Taça

O costa-riquenho Bryan Ruiz chegou na quinta-feira a Lisboa depois de 13 horas de voo e mais umas quantas passadas em quatro aeroportos. O avançado do Sporting foi ao outro lado do Atlântico jogar pela seleção e, após o duelo de terça-feira à noite no Panamá (acabou pelas 3h30 em Portugal), iniciou a longa viagem de regresso: do Panamá para a Costa Rica, do país natal para Madrid e daqui para Lisboa.

Ruiz é o exemplo mais extremo do desgaste a que foram submetidos nove jogadores do Sporting e outros tantos do Benfica em vésperas do terceiro dérbi da temporada, por causa dos compromissos das equipas nacionais.

Ao contrário do costa-riquenho, que realizou dois jogos completos entre sábado e terça-feira, os outros três internacionais ‘obrigados’ a viagens transatlânticas acabaram por ser mais poupados dentro de campo: o colombiano Teo Gutiérrez, também do Sporting, esteve em ação 58 minutos, enquanto, do lado do Benfica, o mexicano Raúl Jiménez acumulou 103 minutos e o argentino Nico Gaitán ficou-se pelos 20.

Os jogadores habituaram-se a viagens de longo curso para representarem as seleções e, a ressentirem-se de algum cansaço no dérbi de hoje para a Taça de Portugal, deverá ser apenas numa fase mais adiantada do jogo. Mas para Jorge Jesus e Rui Vitória, mais do que a gestão de um ou outro caso de maior desgaste físico, a principal condicionante resulta de não terem conseguido preparar o duelo com toda a equipa.

O técnico dos leões esteve privado de Rui Patrício, William Carvalho, João Mário e Slimani, além dos outros dois titulares já referidos e dos jovens Tobias, Gelson e Mané. Já o homólogo da Luz não pôde contar com cinco primeiras escolhas, casos de Eliseu, Samaris, Guedes, Mitroglou e o já citado Gaitán, e ainda Ederson, Renato Sanches, Nuno Santos e Jiménez. Só no treino de hoje é que Jesus e Vitória terão à disposição o plantel completo, sem jogadores em recuperação. Pouco para um jogo desta importância.

Aqui ganha maior relevância a estratégia que o Benfica vai apresentar em Alvalade. Depois de duas derrotas com o rival lisboeta, na Supertaça e no Campeonato, seria de admitir uma nova abordagem por parte de Rui Vitória. Mas como preparar um plano alternativo com meia equipa nas seleções? Por outro lado, se o dérbi mais recente, na Luz, correu mal com a aposta em dois pontas-de-lança - prevalecendo a forma como os encarnados têm vindo a jogar -, no do Algarve, que abriu a época, o treinador também se deu mal ao recorrer a mais um médio em detrimento de um segundo avançado.

Talvez por isso faça mais sentido manter Jonas e Mitroglou (ou Jiménez) na frente e mentalizar a equipa para, ao terceiro dérbi, neutralizar os antídotos que os leões têm privilegiado: pressão sobre o último reduto encarnado e contra-ataques rápidos após a recuperação de bola dentro do meio campo contrário.

Seja como for, com a mesma ou uma nova estratégia, Rui Vitória enfrenta maior pressão: em caso de derrota, se mudar é porque se amedrontou e se mantiver tudo na mesma é porque não aprendeu com os erros. Para Jorge Jesus, um desaire tem um peso menor: o Sporting está em risco na Liga Europa e sairia da Taça, mas enquanto liderar o Campeonato o estado de graça do treinador estará para durar.

rui.antunes@sol.pt