Politica

O ministro da Defesa que disse que ‘saco de gatos [da esquerda] amansou’

Azeredo Lopes na pasta da Defesa é um nome inesperado. Mas o antigo presidente da ERC não é alguém previsível. Especialista em Direito em Internacional da Universidade Católica, José Alberto Azeredo Lopes chegou à comunicação pela mão do então ministro social-democrata Morais Sarmento, que o indicou para um grupo que haveria de estar na base da reestruturação da RTP.

Depois disso, o mesmo Morais Sarmento chamou-o para presidir à ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social). Mas permaneceu no lugar quando José Sócrates sucedeu a Durão Barroso.

O percurso na política mostra que está à vontade junto de vários setores: foi apoiante de Mário Soares, nas presidenciais de 2006, e foi um dos elementos mais ativos na campanha do independente – e ex-colega de comentário televisivo na extinta NTV – Rui Moreira de quem seria chefe de gabinete na Câmara do Porto.

Na ERC, Azeredo ganhou notoriedade e alguns inimigos. Ficou famosa a polémica em que acusou membros da entidade a que presidia de estarem na origem de uma fuga de informação para o Expresso sobre o depoimento de um administrador da Media Capital no caso da TVI no tempo de Sócrates.

De resto, Azeredo Lopes, 53 anos, natural do Porto, não é conhecido por ter paninhos quentes. Na crónica – que continuou a escrever no JN, mesmo quando presidia à ERC – cultivou sempre um estilo truculento, que lhe valeu críticas, por exemplo, de Rui Tavares, o fundador do Livre, que descreveu num blogue as opiniões de Azeredo como sendo de “pouca sofisticação”.

Sem medo de ser controverso, o comentador escrevia pouco depois das legislativas sobre as dúvidas que tinha acerca da possibilidade de um governo da esquerda.

“Mesmo que isto tudo fosse possível - e tenho dúvidas firmes -, não seria um Governo de "Esquerda". Porque não existe "Esquerda unida" (a não ser como conceito) no atual sistema político-partidário nacional. Mas a verdade é que o saco de gatos amansou e estão hoje os bichos bem juntinhos a arranhar para fora, forçados a tal pelo enxovalho recebido do presidente”, analisava, após a comunicação ao país de Cavaco sobre a indigitação de Passos Coelho.

Mais recentemente, usou um estilo igualmente forte para voltar ao tema: "Se houver Governo de esquerda, perceber-se-á que PC e BE não têm corninhos e que a treta dos bolcheviques é chão que deu uvas. Essa é a verdadeira revolução: BE e PC poderem ser partidos de poder e isso não ser assustador (mesmo que não se goste "deles")".

margarida.davim@sol.pt