Economia

José Maria Ricciardi: "Portugal não pode repetir o que aconteceu em 2011"

O presidente do Haitong Investment Bank (ex-BESI) alertou hoje que Portugal não pode voltar a uma situação como a que ocorreu em 2011, em que o país pediu assistência externa e foi intervencionado pela troika, sob pena de perder o acesso a investidores estrangeiros durante anos.


José Maria Ricciardi falava no Fórum Empresarial do Algarve, organizado pelo LIDE Portugal. O gestor começou por enumerar aspetos positivos da evolução recente da economia: a balança comercial positiva, o crescimento do PIB este ano, a redução do desemprego e as taxas de juro baixas.“O país continua a ter todas as condições de se financiar nos mercados”.

Contudo, alertou para os níveis elevados de dívida pública e privada e manifestou preocupações com uma excessiva aposta no consumo, que poderá desequilibrar as contas externas e gerar mais endividamento. “Não estamos em situação de repetir esse panorama”, frisou.

Uma vez que o tecido empresarial nacional tem poucos capitais próprios, Ricciardi sublinhou que o país precisa de mais investimento estrangeiro, para conseguir crescer. E lembrou que será difícil captar investidores externos se o país voltar a um cenário como o de 2011, em que Portugal perdeu credibilidade externa e a capacidade de financiamento, tendo de recorrer a empréstimos do FMI e de Bruxelas.

“Se repetirmos outra vez o que aconteceu em 2011, vai demorar muito mais tempo a recuperar a credibilidade. Não podemos repetir de maneira nenhuma o que já tivemos”, frisou, alertando para “alterações radicais que mexam com investimento estrangeiro”.

O gestor espera que haja uma trajetória de contas públicas equilibradas, de uma melhoria do rating equilibrado e de estabilidade fiscal. “Veja-se o caso da Grécia. Quanto tempo vai demorar a atrair investimento estrangeiro que se veja?”.

joao.madeira@sol.pt