Opiniao

A Via do Infante e as artes ocultas

Entendo que as autoestradas devem ser portajadas, e desta forma pagas por quem as utiliza. Foi assim com preocupação que vi a sugestão do PCP de abolir as portagens na Via do Infante, no Algarve, e a proposta de um autarca do PS em baixar essas mesmas portagens em 50%. Claro que, se as portagens forem abolidas ou reduzidas em 50% no Algarve, outras zonas do país começarão a exigir o mesmo, e com razão. De facto, porque deverão ser os algarvios positivamente discriminados relativamente aos habitantes do resto do país?

Claro que, para eliminar ou reduzir portagens, há que compensar financeiramente os concessionários das autoestradas: mais uma despesa para o Estado, numa altura em que temos de as reduzir para baixar o défice orçamental. Vi na televisão um deputado do PCP que afirmou mesmo que o Estado devia comprar a Via do Infante à concessionária, pois as taxas de juro estão atualmente baixas. Mas é claro que não vamos ter eternamente este ambiente de taxas de juro reduzidas, só permitidas por uma intervenção do Banco Central Europeu que deverá acabar no primeiro semestre de 2017. Além disso, segundo o tratado Orçamental que Portugal assinou, temos de reduzir a dívida do Estado, não aumentá-la.

Como disse um amigo meu: “eles (os que querem aumentos de despesa pública para pagar todo o tipo de benesses) devem pensar que o ministro das Finanças é especialista nas artes ocultas, através das quais arranja sempre dinheiro para tudo”. Eu não diria melhor. E, se não tiver essa especialidade, Centeno deve ser firme, e não aprovar loucuras despesistas.