Internacional

Maduro baixa o tom após a 1.ª derrota do Chavismo

As sondagens não erraram e a oposição venezuelana impôs ontem a primeira derrota eleitoral do socialismo bolivariano de Hugo Chávez em 17 anos. Com 99 deputados garantidos nos 167 que compõem a Assembleia Nacional, a Mesa de Unidade Democrática (MUD) ainda sonha com a maioria de dois terços que permitirá iniciar um processo de destituição do Presidente Nicólas Maduro. Os 22 deputados ainda por eleger serão decisivos para o futuro político do país.


Num momento em que são conhecidos os resultados de 74,25% dos votos, está garantida a nova maioria venezuelana. Pela voz do Presidente Maduro, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) reconheceu os “resultados adversos”, embora tenha falado na vitória da “contrarrevolução” motivada por uma “guerra económica”. O herdeiro de Hugo Chávez responsabiliza os interesses económicos, personificando-os no “império norte-americano”, pela crise financeira que o eleitorado atribui à sua incompetência.

Ainda assim um discurso mais ameno do que o repetido nos últimos dias de campanha, quando Maduro se mostrava disponível a manter o poder a qualquer preço. A preparação “espiritual, política e militar” que dizia ter antes da ida às urnas dá agora lugar a elogios à “vitória da democracia e da Constituição”, como referência à ausência de casos de violência ou acusações de fraude durante a jornada eleitoral.

“Foi um dia histórico que merece uma reflexão”, disse o líder nacional da MUD, Jesús Torrealba. O dirigente não deixou de lembrar a “unidade” existentes entre uma oposição que junta fações da esquerda moderada à direita conservadora, dizendo que esse esforço levou a “vencer democraticamente um Governo que não é democrático”.

Uma suavização presidencial que pode evitar o caos que o país viveu durante os protestos contra Maduro em 2014: 43 pessoas morreram devido à repressão policial que se seguiu. Leopoldo López, o homem que liderou os protestos do ano passado, poderá tornar-se agora um dos primeiros beneficiários da jornada democrática, pois a oposição prometera uma amnistia para todos os presos políticos – López está nessa condição desde Fevereiro de 2014 e condenado a cumprir 13 anos atrás das grades por “incitamento à violência”.

nuno.e.lima@sol.pt

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