Politica

Marcelo envia recado a Passos e Portas

O Conselho Nacional do PSD está marcado para dia 10, com um ponto na agenda: definir o apoio à candidatura presidencial. Para trás ficaram os tempos em que Passos Coelho dizia, numa moção ao Congresso, não querer um “catavento mediático” como candidato. O apoio a Marcelo é dado como garantido, mas o professor faz questão de frisar a sua independência.

“Aceito e agradeço os apoios que vierem”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, garantindo que o já certo apoio que virá de Passos Coelho e Paulo Portas não o condicionará. “Não vinculo em nada a minha candidatura aos apoios que vier a receber”, assegurou na sua primeira grande entrevista como candidato à Presidência da República.

Marcelo revelou mesmo à SIC não ter acertado a sua candidatura com os líderes do PSD e do CDS. “Não pedi autorização, não pedi coisa nenhuma”, frisou o candidato, explicando que se limitou a comunicar a Passos e a Portas “por uma questão de cordialidade” que a sua candidatura “ia avançar a breve trecho”.

Aos que à direita esperam que ponha em causa a legitimidade política do Governo de António Costa, o antigo comentador deixa um aviso: “O Presidente não tem de assumir essas dores [dos partidos]. Deve estar num plano acima”, defende, explicando que “aumentaram muito as tensões sociais e aumentaram muito as tensões políticas” pelo que o papel do próximo inquilino do Palácio de Belém deve ser o de “sarar as feridas” e não de tomar partido na luta entre “o país de direita”, que critica a forma como Costa chegou ao poder, e o “país de esquerda”, que defende o Governo por este ter apoio parlamentar.

Preocupado em manter a distância em relação aos partidos que o apoiam, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu o papel de Passos em anos que qualifica como “muito difíceis”, mas não deixou de reconhecer as consequências que o programa de ajustamento teve no país.

“Aumentaram as desigualdades, aumentou a pobreza, aumentou o risco de pobreza”, admitiu, explicando que, em seu entender, o desafio do Governo de Costa é o da “compatibilização de mais justiça social com o equilíbrio financeiro mínimo para que não entremos em derrapagem”.

“É um desafio difícil, mesmo que de lá fora venham boas notícias”, reconheceu, lembrando o impacto negativo que podem ter questões como a crise dos refugiados ou o referendo inglês à participação do Reino Unido na União Europeia.

Uma coisa é certa: Rebelo de Sousa deseja o melhor a António Costa. “Eu espero que esta solução dê certo”, prometendo que fará “o possível para que seja duradoura”, por entender que “se der certo é bom para o país”.

margarida.davim@sol.pt