Politica

Ferreira Leite: 'Já é momento do PSD e do CDS se separarem'

“Amigos amigos, negócios à parte”. Foi esta a expressão usada por Manuela Ferreira Leite, após afirmar que chegou a altura do PSD se separar do CDS.

Falando sobre a questão dos cinco lugares eleitos pela Assembleia da República para o Conselho de Estado, a antiga ministra das Finanças defende que o PSD deve ocupar os seus dois lugares e não os dividir com o CDS.

“Já é momento do PSD e do CDS se separarem. Já é altura, cada um siga o seu caminho, porque nós temos de preparar o nosso caminho para o futuro e preparar o nosso caminho tentando ocupar o espaço que sempre ocupámos e defender as ideologias que sempre defendemos”, afirmou a social-democrata, no programa ‘Política Mesmo’ da TVI24.

Ferreira Leite realçou ainda o facto de que se fosse atribuído ao CDS - a quarta força política mais votada - um lugar no Conselho de Estado, o Bloco de Esquerda, sendo o terceiro partido mais votado, passaria a ter legitimidade para reivindicar também um lugar no órgão consultivo.

“Se o CDS fosse eleito para a Assembleia para o Conselho de Estado, sendo o quarto partido mais votado na Assembleia, o que é que vamos dizer ao segundo e ao terceiro? Aí evidentemente o Bloco de Esquerda diz ‘Antes do CDS entro eu’ e fica-se sem argumentos”, acrescentando que se o PS quiser dar lugares a outro partidos, que o faça.

Relativamente ao salário mínimo, a social-democrata acusou a CGTP de “criar expectativas aos trabalhadores” ao pedir que o salário mínimo passe a ser de 600 euros já no próximo ano, sabendo que “não é exequível”.

“Não é que algum de nós ache que 600 euros é muito, não é isso que está em causa. Está em causa a CGTP saber qual é a estrutura das empresas portuguesas e forma como elas são capazes de ultrapassar e de suportar um aumento de encargos dessa natureza”, afirmou.

Destacando que a CGTP “nunca na vida” assinou nenhum acordo, Ferreira Leite disse “ter a sensação” de que se se decidisse que o salário mínimo passaria a ser de 600 euros "já no dia 1 de janeiro”, a CGTP iria ficar sem “tinta na caneta” no momento de assinar o acordo.