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‘É mais um imposto sobre a incompetência do PSD e do CDS que os portugueses pagarão’

Mesmo com o anúncio de chumbo feito PCP e as garantias quase impossíveis pedidas pelo BE para viabilizar o Orçamento Retificativo, a esquerda mostrou-se unida no debate desta manhã no Parlamento. O Governo Passos e Portas é o inimigo comum que socialistas, bloquistas e comunistas acusam de ser responsável pela situação do Banif que obriga agora a aprovar um retificativo.

“É mais um imposto sobre a incompetência do PSD e do CDS que os portugueses pagarão”, atacou o líder parlamentar o PS, Carlos César, que pede a sociais-democratas e centristas que “assumam agora todas as vossas responsabilidades” na resolução de um caso que a esquerda diz ter sido ocultado durante meses por motivos eleitoralistas.

“A realidade mostra-nos que submergiu o que inevitavelmente viria à superfície, mas como o PSD e o CDS queriam, só depois das eleições”, afirmou César que diz que o PS se vê agora obrigado a fazer o que Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque preferiram adiar. “Chegou-nos por incúria um problema velho”.

O ministro Mário Centeno alinhou no mesmo tom. “Vender um banco em contexto de resolução em 24 horas não é uma tarefa fácil”, disse aos deputados o ministro das Finanças que não tem dúvidas em encontrar os culpados da fatura que agora passará para os contribuintes.

“É o preço a pagar por o Governo ter em três semanas de resolver o que o XX Governo não fez em três meses”, acusou Centeno.

“A fatura da mentira e da propaganda tem este custo”, concordou o deputado do PCP Miguel Tiago, que criticou a solução defendida pelo Governo por não trazer para a esfera pública do Banif, como os comunistas teriam preferido, mas foi muito mais duro na análise feita ao envolvimento de Passos e Portas no caso.

Miguel Tiago recordou todos os cortes a que os portugueses foram sujeitos, para lembrar que esses sacrifícios foram feitos “a pretexto de sanar os problemas da banca”, mas que PSD e CDS “deixaram o lixo escondido”.

“Resta ainda saber se a banca não tem outros problemas lá escondidos a que o Estado terá de responder”, disse o comunista.

Mariana Mortágua também não concorda com a solução de Centeno para o Banif, pelos custos que terá para os contribuintes e por, em seu entender, não dar garantias suficientes de manutenção dos postos de trabalho. Mas, mais uma vez, o alvo foram Passos e Maria Luís.

“Durante três anos a anterior ministra das Finanças teve o dossiê Banif fechado em cima da mesa do ministério”, acusou a deputada do BE, afirmando que o plano do anterior Governo era “sorrir e fazer cara de saída limpa”.

“O plano era olhar para o lado, assobiar”, considera Mortágua, que acha que Passos e Maria Luís esperavam que quando o problema fosse conhecido, já depois das eleições, as responsabilidades ficassem para Bruxelas e não para o Governo PSD/CDS.

“Depois era simples: ficavam para Bruxelas os custos”, afirmou a bloquista, que acha que seria para a Europa que Passos e Portas atirariam as culpas. “Bruxelas era a culpada da perda dos depósitos, Bruxelas era a culpada da perda dos postos de trabalho”.

margarida.davim@sol.pt