Desporto

Arsenal. Wenger e o Feiticeiro de Özil

Técnico francês tem razões para sorrir: das últimas duas vezes que passou a quadra natalícia em segundo, acabou a levantar o caneco.

Se tiver menos de 20 anos tente não rir (vá faça um esforço), mas o Arsenal de Arséne Wenger, sim, esse que na última década joga como nunca e perde ou empata como sempre, já foi imbatível – esta é a altura em que o leitor mais novo corre para o Google. Para os que superaram o primeiro desafio, segue-se mais um teste: ‘The Invincibles’, diz-lhe alguma coisa? Nós ajudamos: foi a primeira e única equipa a conquistar a Premier League sem derrotas em 115 anos de história. Quer mais pistas?

Imagine o guardião Jens Lehmann entre os postes, escudado na defesa por nomes como Giovanni van Bronckhorst, Lauren, Sol Campbell ou Kolo Touré. O meio-campo entregue a Patrick Vieira e Gilberto Silva – Fàbregas já fazia parte do plantel (17 anos) –, nas alas Ljungberg e Robert Pirès e no ataque a dupla Dennis Bergkamp e Thierry Henry (Wiltord era o suplente de luxo).

Deu em título, corria a temporada 2003/04, tal como já havia dado dois anos antes. Arsène Wenger, que aterrou em Londres em 1996, era um homem feliz, ainda sem olheiras nessa altura. O jogo da consagração foi em casa frente ao despromovido Leicester City (2-1). Alto e pára o baile! Mas essa não é a equipa que lidera surpreendentemente a Premier League? Sim, é, essa. E as coincidências não ficam por aqui.

Com a vitória desta segunda-feira sobre o rival directo Manchester City (2-1), na 17.ª jornada, o francês Wenguer (x20 épocas) vai passar o Natal no segundo lugar – a dois pontos do Leicester de Claudio Ranieri. E o que isso tem de bom? Nas últimas duas vezes que isso aconteceu sagraram-se campeões (2001/02 e 2003/04). Os últimos dois títulos no campeonato festejados pelo técnico francês, agora com 66 anos. Depois disso, um longo jejum e muitas noites sem dormir (daí as olheiras).

A história parece estar a mudar. A cinco meses do fim do calendário, o Arsenal perfila-se como o principal candidato ao título, apesar da segunda volta trazer ainda visitas ao Liverpool, United, City e Tottenham. Em parte graças ao triunfo sobre a formação de Manuel Pelegrini, que os deixou no último lugar do pódio, a quatro pontos de distância.

“Nós sabemos bem a qualidade que temos. Se jogarmos o que sabemos podemos ser campeões”, analisou Özil depois de receber o prémio de melhor em campo no Emirates. Apesar da euforia dos adeptos e dos próprios jogadores, Wenguer diz que ainda é cedo para pensar no título, mas não esconde que já se vê a levantar o caneco: “Mostrámos todos os ingredientes necessários”.

hugo.alegre@sol.pt