Politica

O que é que distingue uma Presidente?

Com duas mulheres pela primeira vez a concorrer à Presidência da República, Marisa Matias e Maria de Belém tiveram de explicar o que as distingue. Maria de Belém acha que é sobretudo a idade, "o tempo de vida e a experiência de vida " de uma mulher com 40 anos de vida pública que se apresenta como "feminista mais velha".

A antiga ministra da Saúde acabou por corrigir o tiro, esclarecendo que não defende que a candidatura à Belém seja só para os mais velhos. 

"Não é só para cidadãos de uma provecta idade como a minha", admitiu depois de Marisa Matias , que tem de vida os 40 anos que a sua adversária tem de experiência política, defender que as presidenciais não devem ser "um concurso de antiguidade", como Maria de Belém já tinha defendido que não deviam ser "um concurso de popularidade ".

Ficou claro que há muito mais a separar as duas candidatas que podem conjugar a Presidência no feminino. A relação com a Europa, a forma como lidariam com o Orçamento Retificativo que permitiu a resolução do Banif, a participação das tropas portuguesas em missões no estrangeiro e a exclusividade da atividade de deputado são temas em que as duas divergem.

A polémica do trabalho de Maria de Belém na Espírito Santo Saúde 

A atividade de Maria de Belém, que acumulou as funções de presidente da Comissão Parlamentar de Saúde com as de consultora da Espírito Santo Saúde dominou, de resto, parte do debate.

Maria de Belém defendeu-se, explicando que a lei a permita acumular as duas funções e que até ganhava menos como deputada por não estar em regime de exclusividade. Mais: explicou que como presidente da Comissão de Saúde "não decidia nada sobre coisa nenhuma ".

"É legal, mas é uma lei que eu não apoio", sublinhou a candidata apoiada pelo BE, que garante que não se "permitiria" estar nessa acumulação de funções, mesmo sabendo que "a lei não o proíbe ".

Marisa contra todas as guerras 

Como Presidente, Marisa também não concebe apoiar a participação das Forças Armadas Portuguesas em conflitos armados no estrangeiro, sejam eles quais forem. "Sou completamente contra em todas as circunstâncias ", frisou, argumentando que não se deve "alimentar a guerra com mais guerra ".

Marisa Matias deu, aliás, o exemplo do que fez Jorge Sampaio quando vetou a participação de Portugal na Guerra do Iraque. "Decidiu bem. Tinha razão ".

Maria de Belém tem uma posição diferente, defendendo que cada caso deve ser analisado criteriosamente, mas sempre tendo em conta que "Portugal tem compromissos no âmbito da  União Europeia e da NATO que se devem respeitar ". 

Neste tópico, as duas candidatas estão de acordo apenas na prioridade que deve ser dada ao corte das fontes de financiamento dos terroristas.

margarida.davim@sol.pt