Politica

BE põe Marcelo a desmentir Marcelo

No debate com Marisa Matias, Marcelo garantiu ter tido “divergências jurídicas” quanto aos fundamentos que levaram ao chumbo do primeiro Orçamento do Estado do Governo de Passos Coelho pelo Tribunal Constitucional, assegurando que nunca defendeu a sua constitucionalidade. Agora, os bloquistas recuperam o vídeo do comentário na TVI emitido em 2012 que mostram uma versão diferente.

No vídeo, Marcelo Rebelo de Sousa mostra-se surpreso com o chumbo do Orçamento feito por Passos Coelho e Vítor Gaspar para cumprir o memorando de entendimento assinado com a troika.

“Passa pela cabeça de alguém que a maioria dos Juízes do Tribunal Constitucional chumbe o OE? Isto lembra ao careca?”, questiona o comentador, explicando que chumbar aquele documento equivaleria na prática a rasgar o acordo assinado com a troika. “Era o que faltava!”, sublinhou, defendendo que a Constituição deve ser lida de acordo com o momento, sem “homenagens” a interpretações “rígidas” e “fixistas”.

A contradição não está a passar em branco e os bloquistas estão a divulgar no site Esquerda.net e nas redes sociais o vídeo com o título “Marcelo desmente Marcelo”.

“Quando os deputados contestaram o corte de salários e pensões junto do Tribunal Constitucional em 2012, Marcelo Rebelo de Sousa colocou-se ao lado do governo de Passos e Portas e atacou a iniciativa. Mas nesta campanha eleitoral diz aos eleitores que concordou com o chumbo dos cortes… Marisa Matias descobriu a “careca” do candidato Marcelo no debate frente-a-frente”, escreve Catarina Martins na sua página de Facebook.

“Confrontando as suas palavras, as de 2012 e as de 2016, fica claro que o candidato Marcelo Rebelo de Sousa não só defendeu o Orçamento de Estado de 2012 do Governo de Passos e Portas, bem como a inevitabilidades dos cortes nele contidos, como também criticou severamente os deputados e as deputadas que suscitaram a inconstitucionalidade do documento”, aponta o site Esquerda.net, concluindo que “Marcelo Rebelo de Sousa mentiu sobre o que defendeu há quatro anos”.

margarida.davim@sol.pt