Opiniao

Guterres e a ingratidão

António Guterres deu ontem uma entrevista à RTP que eu não vi, mas cujo resumo li na versão online do Diário de Notícias. Nessa entrevista, Guterres disse que ficou ciente da desilusão que provocou nas hostes socialistas ao recusar ser candidato à presidência da República, mas que não tem vocação para ser presidente, pois prefere cargos executivos. Todos devem tentar seguir as suas vocações, pelo que acho esta justificação aceitável.

Guterres e a ingratidão

O que eu acho menos aceitável é a sua recusa em apoiar desde já uma candidata presidencial que já foi lealmente sua ministra durante cinco ou seis anos, Maria de Belém. É colocar no mesmo patamar Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa, esquecendo que, enquanto ela tentava implementar as políticas dos seus governos, onde deixou obra feita, ele prosseguia a sua carreira académica, que é um objetivo mais individual.

Ao dizer que espera pela decisão do PS para tomar uma decisão sobre quem apoia, Guterres está a abdicar da sua vontade política em relação a uma escolha de primeira importância para o país. Já me tinha quase esquecido de como Guterres é indeciso, mas ele rapidamente tratou de me reavivar a memória.

Acho que a única escolha decente para Guterres será apoiar Maria de Belém, que foi sua ministra duas vezes e que nunca deixou de ter posições importantes em representação do PS. Qualquer outra decisão de Guterres, como apoiar Sampaio da Nóvoa, revelará uma grande ingratidão.

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