Cultura

David Bowie: O camaleão mudou a pele pela última vez com Blackstar

Nascido em Brixton, Londres, em 1947, cedo ganhou a fama de sobredotado na escola primária. O jazz interessou o rapaz que se deleitava a ouvir Charles Mingus e John Coltrane, tanto que a sua mãe lhe ofereceu um saxofone de plástico. 

Se houve algo de típico na vida de Bowie foi, claro, a banda de rock adolescente — é algo a que muito poucos conseguem fugir. O talento já lá estava, tanto que quando saiu “Space Oddity” – segundo disco, mas o primeiro no que à atenção mediática diz respeito – ninguém entendeu muito bem o que aí vinha.

Já aqui, a forma como se apresentava nos seus telediscos era controversa, camisolas com lantejoulas e maquilhagem ofensiva para qualquer macho man. Mas mesmos esses se arrepiavam a surpreendiam com faixas como “Letter to Hermione” ou “Space Oddity”.

Estávamos em 1969. A década de 70, que se seguiu, foi o apogeu desta lenda viva. Em dez anos editou 12 discos. As suas várias personagens – Ziggy Stardust, Aladdin Sane, Pierrot, Goblin King, entre outras – foi aqui que se iniciaram. Sobretudo com dois discos que ainda hoje o caracterizam, que ficaram presos aos fanáticos ou apenas meros admiradores: “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” (1972) e “Aladdin Sane” (1973). Aqui já não havia volta a dar: Bowie estava para ficar. 

Essa é, provavelmente, a maior lição que este professor nos ensinou. Bowie anda cá há tanto tempo – e sempre constantemente na crista da onda – que parece eterno. Não o sendo – podemos assumi-lo como um dado adquirido – este “Blackstar” é mais uma prova que a constelação Bowie não dá sinais de perder luz. 

Já esteve em todos os tops do mundo, já participou em cerca de duas dezenas de produções cinematográficas, já conquistou todas as condecorações e mais algumas como um Saturn Award pela interpretação em “The Man Who Fell to Earth” (1976), dois Grammy, dois BRIT Awards, prémios do governo inglês tal como do francês, Hall of Fame, enfim.

Coisa que, a julgar pela forma como se manifesta artisticamente, nem lhe deve dar grande gozo. O mesmo não podemos dizer do número de cópias vendidas. Estima-se que Bowie já vendeu perto de 140 milhões de álbuns. Do dinheiro todos gostamos, claro. Até porque neste caso, como “Blackstar” explica por si, os dólares são utilizados para continuar a irreverência.