Cultura

Nunca é tarde para celebrar Álvaro Lapa

Dez anos após a morte de alguém, o que sobra? Talvez apenas o que pode sobrar: saudades. Ainda que não nos seja próximo, ainda que possamos estar apenas a falar de admiração longínqua, ainda que aquilo que reste seja, pois claro, recordar. 

Nunca é tarde para celebrar Álvaro Lapa

Foi essa a tarefa a que se propôs a Galeria Quadrado Azul, que tem em curso uma exposição homónima que pode ser vista até 12 de março, na Rua Miguel Bombarda, no Porto.

Poeta e pintor, Lapa nasceu em Évora em 1939 tendo morrido no Porto, em 2006. Estudou filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e desde aí mostrou-se profundamente influenciado pela pintura abstrata e expressionista europeia e norte-americana, assim como pelo surrealismo europeu. As formas sempre foram difusas, e a fusão entre caneta e pincel é a prova de que estamos perante um artista singular. Kafka, Motherwell, Burroughs foram algumas das suas referências. No ano da sua morte viu a sua carreira ser reconhecida, através da atribuição do Grande Prémio EDP.

Manuel Ulisses, colecionador de arte e fundador da Quadrado Azul, considera «um dever mostrar a obra de Lapa». Isto ainda antes de acrescentar que não é por acaso que nasce esta exposição: «É um artista que diz bastante à galeria. Quando a Quadrado Azul abriu, em 1986, tivemos sempre presente que era um artista com o qual a galeria queria trabalhar, coisa que viria a acontecer mais tarde».

A exposição, além assinalar  os dez anos da morte e assim homenagear a memória do artista, servirá para mostrar obras raramente expostas. A fotografia que ilustra este artigo é um desses casos: «A ‘Barulheira’ é uma peça que foi reproduzida no livro do crítico e historiador Alexandre Melo e portanto só ai foi conhecida, nunca esteve exposta. Depois há um ou outro trabalho que foram expostos em 94 mas que nunca mais tinham sido vistos pois os tínhamos guardados», conta Manuel Ulisses.

Este apaixonado pela arte lamenta ainda do facto de em pleno ano de 2016 continuar a existir quem ignore - ou simplesmente desconheça - a importância de Lapa.«Há um grande grupo de pessoas que desconhece a sua obra. Parece-me um artista essencial na arte portuguesa, que vai ter que ser estudado. É um dos artistas que vai merecer atenção de muita gente em breve».

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