Economia

Aeroporto do Montijo mais perto da luz do dia

O Aeroporto de Lisboa continua a bater recordes de passageiros. Em 2015 ultrapassou a barreira dos 20 milhões de passageiros, o que representou uma subida de 10,7% face ao ano anterior. Os voos low cost impulsionaram em grande parte este crescimento e voltam a abrir portas para a necessidade de fixar a base aérea do Montijo como aeroporto complementar. 

A ideia não é nova, mas tem vindo a ganhar novo fôlego. A ANA Aeroportos, detida pelo grupo francês Vinci, estimava que só em 2025 iria ser atingida a meta dos 22 milhões de passageiros. Um valor que tem sido apontado como o limite máximo de capacidade para o aeroporto da Portela. No entanto, a manter esta taxa de crescimento, tudo indica que essa barreira será ultrapassada mais cedo.

A empresa que gere os aeroportos já iniciou conversações com a Força Aérea e a Câmara Municipal de Montijo e o presidente da Vinci, Nicolas Notebaert, admitiu, no início deste ano, que existe uma equipa a estudar todos os pormenores relativos à opção do Montijo como solução para responder ao aumento da procura de passageiros pelo aeroporto da capital.

Para já, ainda não se sabe bem como é que este modelo vai avançar. Uma das hipóteses que tem sido apontadas é o eventual fecho da pista mais pequena do Aeroporto de Lisboa, para aí ser instalado um terminal de passageiros e para parqueamento de aviões, ficando o Montijo como aeroporto alternativo à Portela.

Apesar da urgência em implementar esta solução complementar, a verdade é que só deverá receber luz verde em 2018, até porque a alternativa em cima da mesa está longe de ser pacífica, uma vez que não reúne o consenso entre as maiores companhias de baixo custo que operam na Portela.

A Ryanair congratula-se com a mudança, apesar de exigir uma gestão aeroportuária autónoma da ANA, a EasyJet mostra-se descontente, preferindo manter-se na cidade de Lisboa.

O diretor comercial desta última, José Lopes, chegou mesmo a dizer que, «ninguém pode ser empurrado para fora de um aeroporto». Também a Transavia admite que vê esta possibilidade de mudança com algum cepticismo. A verdade é que com mais uma pista no Montijo, a gestora aeroportuária prevê o aumento do número máximo de movimentos por hora em Lisboa dos atuais 40 que a Portela consegue operar para um total de 72.

Tema antigo

O anterior governo esperava ter fechado este tema antes do final da legislatura, mas acabou por não ver a luz do dia. Na altura, Sérgio Monteiro garantia que a localização de um aeroporto complementar à Portela no Montijo ira avançar, independentemente do próximo Governo, pois havia «um amplo consenso» entre todos os intervenientes.

No entanto, caberá agora ao atual Executivo o seu desfecho, mas tudo indica que a solução a adotar é a mesma que era defendida por Passos.  Se tudo se mantiver como estava pensado pelo anterior governo, Montijo poderá servir como aeroporto complementar para albergar companhias aéreas de baixo custo. Isto permitiria libertar o aeroporto principal tanto a nível de parqueamento de aeronaves como de movimentos diários. O presidente socialista da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta, admite que a base aérea do Montijo não pode ser posta em casa e acredita que «qualquer Governo irá indicar esta solução».

Menos satisfeito com esta alternativa está Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa que opta por elogiar a boa prestação atual da Portela para a economia da cidade. «Em três anos houve um crescimento de cinco milhões de passageiros», disse, acrescentando ainda que a cidade tem conseguido responder bem ao aumento da procura. «Temos sabido manter aquilo que é o nosso grande ativo: a autenticidade. É uma cidade única que tem cultura, história, gastronomia, que sabe receber bem, que tem condições climatéricas únicas».

Desta forma, considera que é necessário continuar a cooperação com a gestora aeroportuária para aproveitar o aumento de turistas na cidade.