Sociedade

PS quer criar manual de boas práticas para as universidades

Socialistas acusam instituições do ensino superior de prejudicarem combate às praxes violentas.

O PS apresentou um projecto de resolução na Assembleia da República a recomendar ao governo a criação de um manual de boas práticas para as praxes académicas e critica a postura das instituições do ensino superior. O assunto volta a ser discutido no parlamento na próxima sexta-feira.

Os socialistas pretendem que o governo elabore um manual de boas práticas que sirva de apoio às universidades e politécnicos. “Este documento deverá ter como base uma estratégia de prevenção e combate às praxes violentas, assim como a indicação de programas que promovam uma efetiva integração dos novos alunos.”

O projecto prevê ainda um plano nacional para sensibilizar os jovens que entram no ensino superior, “aproveitando para desmistificar muitos dos comportamentos que são passivamente aceites pelos estudantes”, e um levantamento, com base em questionários anónimos, das “experiências sentidas pelos jovens aquando do seu ingresso no ensino superior”.

PS critica universidades

Os socialistas criticam ainda “um grande número de instituições” do ensino superior que decidiram “banir” a praxe dos seus recintos. “Uma atitude irreflectida e totalmente contrária ao espírito das recomendações feitas às próprias instituições.
O combate à praxe violenta ficou prejudicado pela simples marginalização do problema.”

João Torres, um dos autores do diploma, diz ao i que as universidades que baniram a praxe “pouco fizeram para mitigar o problema, porque a praxe não deixou de existir e a probabilidade de voltarem a acontecer incidentes não diminuiu”.

O Bloco de Esquerda foi o primeiro partido a apresentar um projecto para acabar com as praxes violentas. Os bloquistas querem “converter em obrigação por parte das instituições de ensino superior a realização de atividades de receção aos novos alunos de carácter lúdico e formativo” e promover um estudo sobre a realidade das praxes.

O CDS também apresentou um diploma a defender a realização de campanhas pela “tolerância zero à praxe violenta e abusiva”. Os centristas recomendam ao governo que “redobre esforços para garantir que as instituições de ensino superior e as associações académicas e de estudantes promovam uma acção pedagógica que defenda a liberdade dos estudantes de escolher participar ou não nas praxes”.