Politica

'A ideia do referendo é um truque', diz João Semedo

João Semedo, membro da direção do movimento cívico “Direito a morrer com dignidade”, nem quer ouvir falar na ideia de referendar a eutanásia, ontem defendida por Luís Marques Mendes no seu comentário na SIC.  “A ideia do referendo é um truque com três objetivos: esconder que se está contra o direito à morte assistida, levar as pessoas a discutir o referendo e não as problemáticas do fim de vida e, finalmente, continuar a adiar o problema”, diz Semedo, que acha que o está em causa não deve ser referendável.

“Os referendos sobre direitos individuais como é o caso do direito à morte assistida só na aparência são democráticos. Na realidade eles procuram impor a ditadura de uns quantos sobre todos os outros. O referendo serve para um grupo impor a todos a  sua posição, impedindo o exercício desse direito a todos que o pretendam fazer.  Um direito que é de todos não pode ser recusado por decisão de uns quantos”, defende João Semedo, que integra o movimento do qual fazem parte nomes como Sampaio da Nóvoa e Francisco Louçã, mas também Paula Teixeira da Cruz, Rui Rio, Francisco Pinto Balsemão e Pacheco Pereira.

Para João Semedo, a decisão cabe ao Parlamento e é para lá que quer levar a discussão: “A decisão deve ser tomada por quem tem poderes, capacidade e autoridade para isso, o Parlamento, o poder legislativo por excelência. Foi para isso que os deputados foram eleitos, essa é a responsabilidade que lhes foi atribuída: legislar para resolver os problemas que preocupam e afectam as pessoas”.

Uma vez que ainda não deram entrada na Assembleia da República quaisquer iniciativas dos partidos sobre a eutanásia, o movimento cívico que defende o direito à morte medicamente assistida está a ponderar a hipótese de avançar com uma petição sobre o tema.

“Temos falado entre nós - e várias pessoas já nos fizeram essa sugestão - de lançar uma Petição dirigida à Assembleia da República mas isso veremos na próxima reunião.  Mas, sim, faz parte dos nossos planos reunir com os grupos parlamentares, é a eles que cabe a iniciativa e a decisão. Mas uma coisa é certa: este movimento veio para ficar, ficar até ter conseguido a despenalização e regulamentação da morte assistida”, garante Semedo.