Desporto

Sporting e FC Porto tentam anular a ameaça alemã na Liga Europa

​Rivais nos relvados portugueses, mas unidos no mesmo objetivo: anular a ameaça europeia que chega da Alemanha. Com bola, claro. Redonda, de preferência, e a deslizar na relva. Adivinha-se, ainda assim, uma eliminatória de sentimentos contraditórios para os dois grandes do futebol português – despromovidos precocemente da Champions – nos 16 avos da Liga Europa. Se o Sporting venceu apenas dois dos 22 confrontos com equipas germânicas (mais 6 empates e 14 derrotas), já o Porto conseguiu 12 triunfos (7 empates e 10 derrotas) em 29 duelos.

O Bayer Leverkusen (3.º classificado da Bundesliga) visita esta noite Alvalade e o Dortmund (2.º), o único rival do Bayern Munique em solo alemão, recebe a visita histórica dos dragões. Será a primeira vez que os dois emblemas se cruzam em jogos oficiais e além de o FC Porto ter pela frente uma autêntica máquina de fazer golos (94 em 35 jogos esta época), ainda vai ter que lutar contra a história: o Dortmund tem um registo 100% vitorioso nos três jogos que disputou frente a equipas portuguesas no Westfalenstadion (hoje Signal Iduna Park).

“Se calhar é o jogo mais difícil da época. Até mais do que o de sexta-feira [clássico com o Benfica]. Comparar as duas equipas até é brincadeira”, afirmou Pinto da Costa à chegada a Dortmund. Os números dão força à afirmação do presidente do FC Porto, já que nem o Benfica em 1963, na Taça dos Campeões Europeus (5-0), ou o Boavista por duas vezes na fase de grupos da Champions, em 1999 (3-1) ou 2001 (2-1), conseguiu bater o conjunto alemão no seu reduto, hoje apelidado de ‘muralha amarela’.

O cenário só muda de figura no sentido inverso, já que também o Dortmund nunca venceu nas três visitas que fez a Portugal. Talvez por isso, e como a eliminatória joga-se a duas mãos, o técnico Thomas Tuchel tenha desvalorizado a estatística e chutado a bola para o adversário: “É bom defrontar uma equipa com tanta história na Europa como é o FC Porto, do qual me lembro bem na minha juventude. É uma honra defrontar um adversário tão grande”, disse na antevisão do encontro.

Elogios à parte, o maior desafio esbarra nas luvas de Iker Casillas, que apesar de aos 34 anos somar 163 jogos nas provas da UEFA (é o terceiro com mais presenças, a par de Seedorf) nunca participou numa partida da Liga Europa. Logo na estreia, será testado por Aubameyang, Reus e companhia, autores de uma média de 2,69 golos por jogo/média.

Jesus tem a solução Com menos 13 pontos do que o adversário do FC Porto, surge o Bayer Leverkusen (3.º), o adversário do Sporting. Uma equipa que apesar de nunca ter sido ter levantado o ceptro da Bundesliga já foi vice-campeã por 5 vezes nos últimos 20 anos. Encontra os leões pela primeira vez na prova secundária da UEFA, na mesma fase em que foram eliminados pelo Benfica de Jorge Jesus, em 2012/2013.

Hoje do outro lado da Segunda Circular, Jesus bem pode dar uma ajuda para acabar com a malapata, já que em quatro confrontos com o Bayer (sempre na fase de grupos da Champions), o melhor que o Sporting conseguiu foi um empate sem golos em Alvalade (2000/01). Na primeira mão, no BayArena, os leões de Augusto Inácio já haviam sido derrotados por 3-2. E em 1997/98, também o Bayer bateu a equipa de Octávio Machado em lisboa (2-0) e na Alemanha (4-1).

Como a melhor defesa é o ataque, Rudi Völler (diretor-desportivo) apoiou-se nos números e antecipou-se à concorrência leonina, enviando a meio da semana um recado para Alvalade: “Queremos ir muito longe na Liga Europa”. Mais contido, o presidente executivo Michael Schade, optou por jogar à defesa, em declarações à imprensa alemã: “É uma pena termos que nos defrontar nesta altura porque o Sporting é, certamente, a equipa mais forte da Liga Portuguesa. Trata-se de um desafio para nós”.

Um desafio que pode pender para qualquer um dos lados, a julgar pelas palavras de Jorge Jesus na antevisão do duelo: “Vai ser uma eliminatória equilibrada. Penso que o resultado de amanhã não vai dar segurança a nenhuma das equipas para o segundo jogo. A eliminar, não sofrendo golos será melhor”, explicou o treinador leonino, que considerou o Bayer como “uma equipa de Champions”. Será desta que os leões alteram a história?

hugo.alegre@sol.pt