Sociedade

Taxista que deu o alerta em Caxias diz que mãe pediu para salvarem filhas

A primeira pessoa a chegar à praia de Caxias, onde uma mãe se terá tentado suicidar levando consigo duas filhas pequenas, deu uma entrevista esta quinta-feira à noite à TVI, na qual afirmou que a mulher pediu ajuda para salvar as crianças.

O homem disse que a mulher “gritava muito” e que “dava impressão de arrependimento”. E por mais do que uma vez terá gritado: "Salve as minhas meninas! Salve as minhas filhas!".

No entanto, o taxista de profissão contou que já não viu mais ninguém, embora tenha dito que lhe pareceu ouvir gritos de crianças.

De acordo com o relato do homem, a mulher estava ainda dentro de água e a perder os sentidos quando ele a viu. "Estava quase a morrer", acrescentou.

Antes de entrar na água, o taxista telefonou para o 112 e pediu ajuda aos carros que passavam na Marginal, mas sem sucesso. Decidiu, então, descer as escadas e ir até ao mar que por estar “bravo” o assustou. Ainda assim venceu o medo e entrou, conseguindo chegar à mulher que entretanto tinha perdido os sentidos.

"Voltei-a ao contrário e mandei-lhe três ou quatro safanões e ela vomitou expetoração e água. E ficou aos gritos outra vez e a pedir ajuda e a dizer para eu salvar as filhas".

O homem trouxe a mulher para as escadas da praia e ainda voltou ao mar, mas não viu ninguém. Entretanto, chegou a Polícia Marítima, mas não a ambulância, que ainda terá demorado.

As autoridades colocaram a mulher gelada dentro da carrinha. Esta ter-lhes-á dito que tinha ido fazer “fazer xixi com as meninas nas pedras”, sendo que tanto o taxista como a polícia marítima não acreditaram nesta versão, tendo pensado logo em suicídio/homicídio.

Mais tarde, menos de uma hora depois de ter caído à agua, o corpo da bebé de 19 meses foi encontrado na zona da rebentação. Por encontrar está ainda o corpo da outra filha, Samira, de quatro anos.

As buscas iniciaram-se logo na segunda-feira à noite e têm-se repetido dia após dia, com as autoridades marítimas a bater perímetros cada vez mais alargados.

Ontem ao fim da tarde, o comandante da Capitania do Porto de Lisboa, Malaquias Domingues, admitia aos jornalistas que teve “a intenção de desativar o posto de comando e controlo da autoridade marítima”. No entanto, decidiu fazer “uma última tentativa de verificar a hipótese de o corpo da criança estar preso nas rochas”.

Enquanto o corpo de Samira, de quatro anos, não aparece, restam as suposições. “O corpo poderá ter sido arrastado para mais longe, daí ter definido de início uma área de probabilidade de apreciável dimensão. Faz-me crer que o corpo poderá ter entrado na corrente principal do rio e, com a influência das correntes e das marés, ter-se-á afastado deste local, podendo, eventualmente, já estar no oceano”.

O tempo vai passando, e a esperança diminuindo. “À medida que as horas passam, é cada vez menor a probabilidade de encontrar o corpo”, concluiu o comandante. Por enquanto, as buscas mantêm-se por mais uns dias, embora com meios reduzidos.

O pai das crianças, acusado pela mãe de abusar sexualmente das menores, já tinha participado o desaparecimento das filhas na PSP da Amadora e nega as acusações que chama de “barbaridades”.

O homem dá esta noite uma entrevista à RTP e diz-se disponível para prestar todos os depoimentos, mas pede, por agora, privacidade e tempo para fazer o luto das filhas. O casal estava a passar por um processo de divórcio litigioso.

Há muitos pormenores do caso veiculados pela comunicação social que não foram ainda confirmados, nomeadamente a existência de uma carta de despedida.

Fonte da PJ revelou, logo na terça-feira, que existia efetivamente uma carta no veículo. No entanto, por se tratar de uma viatura partilhada, não era possível atestar se a mesma teria sido escrita por Sónia Lima até serem realizadas peritagens à caligrafia.