Sociedade

Manuel Vicente nega ter pago luvas a Orlando Figueira

Ao fim de uma semana, Manuel Vicente falou pela primeira vez sobre as notícias que dão conta do seu envolvimento na Operação Fizz – o caso que já levou à prisão preventiva de um ex-procurador do Departamento Central de Investigação e Ação Penal. O vice-presidente de Angola diz que nunca pagou ‘luvas’ a Orlando Figueira para que este arquivasse um inquérito em que era visado e que não teve nada a ver com a contratação do magistrado pelo BCP. 

 “Sou completamente alheio [...] à contratação de um magistrado do Ministério Público português para funções no setor privado, bem como a qualquer pagamento de que se diz ter beneficiado”, adianta num comunicado oficial feito hoje.

O governante angolano esclarece ainda que “os relatos apresentados por diversos órgãos de comunicação a [seu] respeito, para além de não corresponderem à verdade, atentam gravemente contra o [seu] bom nome, a [sua] honra, imagem e reputação.”

Mesmo a origem dos pagamentos de 300 mil euros, que a investigação defende ter sido uma empresa ligada à Sonangol – a Primagest – é contestada por Manuel Vicente: “uma sociedade com a qual eu não tinha nenhuma espécie de relação, e que não era nem nunca foi subsidiária da Sonangol”.

No documento, o governante salienta também que o processo em que estava a ser investigado e acabou arquivado era “uma simples averiguação de origem de fundos relativos à compra de um imóvel”, assegurando: “Confiei a minha representação a um advogado, o qual apresentou comprovação cabal da origem lícita dos fundos, com o que o processo não poderia deixar de ter sido arquivado — comprovação essa que, se necessário, poderá ser renovada”.

Manuel Vicente termina o comunicado dizendo estar disponível para colaborar e afirmando que os danos à sua imagem e honra terão de ser reparados.

“O envolvimento do meu nome na investigação ora em curso, não tem, pois, qualquer fundamento; não obstante, estou totalmente disponível para o esclarecimento dos factos na parte em que me dizem respeito, de modo a pôr termo a qualquer tipo de suspeições, e, com certeza, tudo farei para que sejam devidamente reparados os graves danos causados à minha pessoa”, refere.

O procurador Orlando Figueira está em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Évora por suspeitas da prática dos crimes de corrupção passiva na forma agravada, branqueamento e falsidade informática.