Internacional

A Europa está lotada de refugiados

Os números são exorbitantes e vão aumentar. As Nações Unidas alertam que muito em breve poderão ser 70 mil os refugiados na Grécia. 

A Grécia começa a desesperar com o número impressionante de refugiados que chegam todos os dias ao país e que agora ficam retidos dentro das suas fronteiras.

A aflição de um país a rebentar pelas costuras levou Atenas a pedir esta semana uma ajuda de 500 milhões de euros à Comissão Europeia para lidar com a crise. A Comissão acedeu e anunciou um plano de ajuda humanitária.
«Pela primeira vez na sua história, a União Europeia pode sofrer as consequências de uma crise humanitária no seu próprio território», alertou o comissário para a Ajuda Humanitária. Christos Stylianides avançou que Bruxelas vai disponibilizar 700 milhões de euros ao longo de três anos aos vários países da UE onde existem mais refugiados. O valor total será distribuído em parcelas: 300 milhões de euros este ano e 200 milhões em cada um dos dois seguintes.

De acordo com o novo plano da CE, pela primeira vez as verbas serão atribuídas às agências de ajuda humanitária, que passam a trabalhar diretamente com a ONU e outros grupos dentro da Europa.

O plano visa fazer face ao número crescente de refugiados, com a Grécia na linha da frente dos países afetados devido a vários estados dos Balcãs fecharem as suas fronteiras. 

Segundo Yiannis Mouzalas, ministro grego da Imigração, o número de refugiados no seu país até ao final deste mês pode chegar aos 70 mil. «Estimamos que teremos um número de pessoas presas no nosso país entre 50 mil a 70 mil. Acreditamos que aconteça já no próximo mês», disse.

A Europa está de tal modo lotada que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk pediu aos migrantes económicos que não viajem para o continente. «Venham de onde vierem, não venham para a Europa. Não acreditem nos traficantes, não coloquem as vossas vidas em perigo».
Com cerca de dez mil pessoas presas na fronteira entre a Grécia e a Macedónia, Tusk prometeu que a União Europeia não deixaria a Grécia sozinha. Só na aldeia de Indomeni, na fronteira dos dois países, estão presas 25 mil pessoas.

Crise humanitária

A Europa está «à beira de uma crise humanitária auto-induzida» devido ao enorme número de refugiados acumulados nas fronteiras gregas. O aviso veio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). «As condições de superlotação estão a levar à escassez de alimentos, abrigo, água e saneamento», alertou o porta-voz do ACNUR, Adrien Edwards. «Como todos nós vimos na segunda-feira, as tensões estão a acumular-se, alimentando a violência e a favorecer os traficantes de pessoas», acrescentou, referindo-se aos confrontos da passada segunda-feira entre a polícia e refugiados que queriam entrar na Macedónia. «A Grécia não consegue lidar com esta situação sozinha», concluiu.

Adrian Edwards pediu apoio para a Grécia, acrescentando que é «absolutamente vital» que a Europa concretize as medidas adotadas em 2015, incluindo realojar cerca de 67 mil dos refugiados que se encontram em território grego.

Tusk pede ajuda à Turquia

Até esta sexta-feira, e desde dia 1 de janeiro, mais de 135 mil refugiados tinham chegado à Europa através das costas mediterrânicas de Grécia e Itália. O número supera já os valores do primeiro semestre de 2015, segundo dados oficiais do ACNUR.

A Turquia continua a ser um dos pontos-chave para ajudar a resolver a crise migratória da Europa. Nesse sentido, Donald Tusk foi ontem ao país pedir mais cooperação na crise de refugiados. O objetivo de Tusk é convencer o Governo turco a aceitar o regresso de alguns refugiados de forma a aliviar a crise grega.

Na próxima segunda-feira decorrerá em Bruxelas a cimeira UE-Turquia da qual se espera o anúncio de novas medidas para solucionar a crise.