Politica

Maria Luís fora da direção de Passos

Maria Luís Albuquerque foi até há bem pouco tempo dada como quase certa na direção de Passos Coelho, que sairá do Congresso social-democrata dos dias 1, 2 e 3 de abril, em Espinho. Mas os episódios que levaram à resolução do Banif e o novo emprego da ex-ministra das Finanças vieram deitar por terra qualquer hipótese de Maria Luís ascender a uma das seis vice-presidências do PSD.


Passos até saiu em defesa da sua ex-ministra: “Acho que não devíamos criar casos onde não existe nenhum problema de incompatibilidade, nem nenhum problema de ética”, reagiu, dois dias depois de ser noticiada a contratação de Maria Luís Albuquerque pela Arrow Global, empresa que comprou dívida do Banif quando o banco era tutelado pelo Estado. Mas daí até integrá-la nos órgãos do PSD vai um grande passo. “Seria um risco desnecessário na medida em que se poderia virar contra a própria liderança”, resume um alto dirigente do PSD ao SOL.

A própria ex-ministra das Finanças também já terá dado sinais de que não espera agora subir de militante do partido, onde chegou antes das legislativas de 2011, a vice-presidente. Até por ter noção de ter sido atirada para a berlinda, causando desconforto no PSD. A subcomissão de Ética do Parlamento recolhe por estes dias informação para avaliar a ligação de Maria Luís à empresa para a qual começou a trabalhar esta semana. Paulo Rios Oliveira, do PSD, fará depois um relatório, a pedido da ex-ministra.

A expectativa é de que o relatório confirme que não existe qualquer problema de incompatibilidade, apurou o SOL. Mas o assunto não sairá da agenda, já que no final do mês arrancam as audições na comissão de inquérito do Banif, na qual será ouvida a ex-ministra e os novos patrões.

Passos vai mudar metade dos seis vice-presidentes?

Os nomes que vão integrar os órgãos do partido nos próximos dois anos estão na cabeça do líder do PSD, reeleito com 95% dos votos nas diretas de sábado. Nos bastidores, começa a ganhar força a tese de que dos seis vice-presidentes, três podem mudar. Há quem acredite que o líder do PSD possa ir buscar nomes ‘não passistas’, para assegurar o equilíbrio interno, agora que o partido está na oposição. José Eduardo Martins e Nuno Morais Sarmento figuram entre os ‘não passistas’ citados como hipóteses para a direção de Passos.

Afastada está Maria Luís. Mesmo que Passos, como já disse para estancar a polémica, a veja como “candidatável a qualquer lugar na política portuguesa ou num futuro Governo”.