Sociedade

Executivo do PS adia mais uma vez votação do projeto para a Segunda Circular

A novela da requalificação da Segunda Circular vai continuar pelo menos mais uma semana. Depois de um intenso debate público, que até meteu pareceres sobre pássaros e aviões, e de um brutal aumento do custo da obra, que passou dos 10 para os 13 milhões de euros, o executivo socialista da Câmara de Lisboa adiou ontem, para a próxima semana, a apreciação da nova proposta de requalificação da Segunda Circular, o que não evitou, contudo, as críticas do CDS-PP e do PSD, que veem as alterações como “minimalistas”.


Esta era a segunda vez que a proposta da maioria PS para a Segunda Circular - que visa aumentar a segurança rodoviária, a fluidez do trânsito e a qualidade ambiental - estava agendada para debate, já que, em dezembro passado, a versão inicial também foi retirada para ouvir a população.

Desta vez, segundo a oposição, a proposta, que visa o lançamento de um concurso público para a empreitada, foi retirada pelo PS para clarificar algumas questões. O executivo não deu explicações para o adiamento.

Em declarações à agência Lusa no final da reunião camarária privada citadas pelo “Jornal de Negócios”, o vereador do CDS-PP João Gonçalves Pereira sustentou que em causa está um “projeto totalmente diferente do que era quando foi criado”, pois “aquilo que é a parte substancial da obra” fica para depois.

“Não sabemos é para quando”, disse, aludindo à criação de viadutos, passadeiras e reforço dos radares de controlo de velocidade na Segunda Circular.

Menos árvores De acordo com o autarca, também o número de árvores previsto diminuiu de cerca de 8 mil para 1600, bem como o número de quilómetros de intervenção, já que agora abrange o troço entre o Nó da Buraca e o aeroporto, e não até ao Prior Velho. Preveem-se, contudo, alterações como a substituição de árvores da espécie lódão por freixos, o alargamento do separador central para a extensão mínima, a aplicação de um sistema de retenção de veículos, a introdução de guardas de segurança e a criação de zonas de transição nos acessos.

Recordando que as modificações levaram a um aumento de 10 para 13 milhões de euros, Gonçalves Pereira questionou “como é que, com tanta coisa a desaparecer, o investimento só aumenta”.