Cultura

“Ser ator é ter uma máscara que serve para falar de nós”

Entrevistas com horas marcadas entre pessoas que falam pelos cotovelos resultam geralmente em conversas a dois tempos que dão pano para mangas — e para o corta e cose necessário quando nos metemos numa embrulhada dessas. Mas um ator não se importará, isso é coisa a que se habituou do cinema. Teatro, televisão e cinema, por esta ordem mas agora e sempre as três. Novelas não, que isso é coisa demasiado repetida para quem encaixa entrevistas sobre João de Mattos, o colonialista que chega a África no final do século XIX em “Posto Avançado do Progresso”, o último filme de Hugo Vieira da Silva que estreou esta semana nas salas portuguesas, entre os ensaios de “A Conquista do Pólo Sul”, em Abril no São Luiz. Mas não só até ver. Urgente é experimentar, dar cabo dessa inquietação que num poema de Bukowski seria um pássaro azul à espera da noite, de onde vem a música, essa bebedeira que é um vício. E talvez uma outra máscara também, como é representar.

Miguel Silva

A tua página da Wikipedia tem uma coisa engraçada…

Que é o quê? Não costumo…

Em inglês diz que Nuno Lopes é um ator que fez uma data de filmes e ganhou vários prémios de cinema e em português começa com o facto de Nuno Lopes ser um DJ e ator português que entrou na novela “Esperança”.

Claramente escrita por brasileiros [risos]. Isso é uma das coisas que me agradam no meu percurso, o facto de ter feito coisas muito diferentes. Há pessoas que me conhecem do cinema, pessoas que me conhecem do teatro, outras que me conhecem como DJ, outras da novela brasileira.

E outras como humorista.

Como humorista, sim. Gosto dessa mudança. De televisão para cinema, de cinema para teatro, não só de personagem mas também de estilo. Tenho tido a sorte de ter oportunidade de fazer diferentes coisas. Não gosto de ficar agarrado só a um género. Por exemplo, estive praticamente um ano a fazer só cinema e agora estou a fazer teatro.

Este ano vamos poder ver vários filmes teus, além deste “Posto Avançado do Progresso”.

Tenho para sair o “São Jorge”, do Marco Martins, e um filme do Marcelo Gomes, um realizador brasileiro, “Um Certo Joaquim”, e ainda “O Grande Circo Místico”, de outro realizador brasileiro, o Caca Diegues, sendo que nesse tenho um papel muito pequeno.

Regressas ao cinema com Marco Martins, o realizador do “Alice”. Que importância teve esse filme?

Foi o meu primeiro filme como protagonista. Fui escolhido por casting, pelo Marco, e o “Alice” foi o início da descoberta de uma amizade e de uma amizade artística também. Para além da importância do filme foi um dos trabalhos que mais me orgulho de ter feito. Foi muito forte fazer aquele personagem e ainda hoje penso nele de tempos a tempos.

Teatro, televisão ou cinema, em qual estás mais confortável?

Em nenhum dos três. Parte do meu trabalho tem a ver com estar desconfortável, acho que é a partir daí que se trabalha.

Há uma certa inquietação?

Um ator, se não for inquieto e não se questionar, não faz sentido estar nesta profissão. Pode estar porque quer ser famoso, mas não é esse o meu objetivo como ator. É uma profissão em que acima de tudo tentas conhecer o outro e a ti mesmo. Mas é imperfeita por natureza, nunca vais chegar ao fundo. Como não é uma profissão matemática, que tenha uma maneira de ser feita, não há um ponto que possas atingir. Tens os teus objetivos mas são assim… muito vagos.

Que objetivos são esses?

O principal de todos é continuar a fazer coisas de que gosto. E muitas vezes nós atores temos que aceitar fazer coisas de que não gostamos, por dinheiro, para podermos fazer as coisas de que gostamos. Muitas vezes não, sempre. Mas o objetivo é, acima de tudo, continuar a ter que aceitar coisas de que não gosto para fazer as coisas de que gosto. Depois, a maneira como escolho projetos tem a ver com uma inquietação que me surge quando leio um guião ou quando uma peça de teatro. Raramente aceito um projeto porque aquele personagem era muito bom. Normalmente aceito um projeto porque o objeto me inquieta, me faz ter questões, me provoca desafios como ator. Uma das razões para aceitar o “Posto Avançado do Progresso” foi isso, foi “como é que isto se faz?”. Às tantas lia “João de Mattos pensa na sua existência no mundo”. Essa dúvida inquietou-me. Além de não conhecer esta fase da História portuguesa e querer repensar o passado.

E mudou o teu olhar sobre essa fase da História?

Sim, claro. A colonização portuguesa é uma coisa que ainda está enraizada em nós. Teve diversas fases e acho que todas essas fases deixaram lastros que ainda hoje fazem com que as pessoas tenham determinadas atitudes. Interessa-me pensar sobre isso, interessa-me sobretudo pôr questões, espelhar dúvidas. E acho que o filme faz isso.

Como foi colocares-te nesse papel de colonizador, num lugar que hoje nos é tão distante?

Refletir sobre o passado é uma coisa que me encanta e que acho que nos faz pensar o futuro de outra maneira. Foi com imenso prazer que mergulhei neste universo do [Joseph] Conrad e da colonização portuguesa no Congo. Mal acabei de ler o guião, li o conto, e o guião é bastante diferente do conto porque, para já, no livro não é claro de onde são estes tipos. No nosso filme são claramente portugueses e têm toda a história da visita do passado através dos fantasmas que aparecem no filme, como se toda essa parte que ainda hoje é esquecida da História da colonização portuguesa no Congo os atormentasse.

“Posto Avançado do Progresso” estreou no mês passado em Berlim, onde este ano o cinema português esteve representado em peso, como nunca tinha acontecido. Isto pode explicar-se, em parte, por termos também produzido mais?

De todo. França faz 150 filmes por ano e não tinha tantos em Berlim como nós. Primeiro, o nosso cinema está na moda. O facto de terem surgido nomes como o Miguel Gomes tem trazido o cinema português para outro sítio. Não é que não houvesse antes, acho mal quando se diz que agora é que começou — o João César Monteiro e o Manoel de Oliveira já faziam esse trabalho. É um trabalho de há muitos anos que agora começa a dar frutos. Mas isto é uma parte. Acima de tudo acho que isto tem a ver com a qualidade dos próprios filmes.

Falávamos há pouco do Brasil. Não és um ator de novelas, o que é que te levou a aceitar fazer a “Esperança” naquela altura?

Em televisão tinha feito só comédia, comecei com a Maria Rueff, no “Programa da Maria”, depois trabalhei com o Herman, fiz um casting e apareceu a hipótese de ir para o Brasil fazer esta novela. E de repente… cresci, como todos os portugueses da minha idade, a ver novelas brasileiras e agradou-me poder ver o que está do lado de lá, perceber como se faz. Mas não tenho feito novelas porque o género em si não me interessa especialmente.

Tens convites?

Tenho. Mas tenho preferido fazer outras coisas e tenho podido recusar graças a outras coisas que aceito. Sobretudo porque já passei pela experiência de fazer uma novela e o género narrativo é normalmente muito repetido. Quando fazes uma novela, de certa maneira, mesmo que mudes de personagem, estás a fazer todas ao mesmo tempo. Mas nada contra as novelas.

Já disseste em várias entrevistas que és tímido. Como é que um tímido escolhe esta profissão?

Acho que ser ator veio basicamente dessa timidez, que é uma coisa com a qual tenho conseguido lidar cada vez melhor. Cada vez estou menos tímido. Mas a representação veio de uma incapacidade de me expressar, que me levou no início a pensar em ser pintor, depois músico. Tinha tudo a ver com a necessidade de ter uma voz. E de repente achei aquela que é a minha melhor maneira de me expressar - que é esta e que tem a ver com essa timidez, porque, na verdade, ser ator é ter uma máscara que serve para falar de nós. É usares um personagem que em última análise fala de ti, da maneira como vês o mundo. Se estiver a fazer um tipo horrível, por muito diferente de mim que seja, estou a ir às minhas memórias do que são os tipos horríveis. E, sim, sinto-me mais confortável em palco porque tenho essa máscara que é um personagem que esconde das pessoas que na verdade estou a falar de mim.

Lembrei-me agora daquela cena com a Anabela Moreira na parte final de “Sangue do Meu Sangue”.

Esse filme teve um processo muito especial, porque como foi construído de base com os atores, como o guião foi escrito por nós através de improvisações, não houve aquilo que há normalmente nestas situações que é leres a cena e teres consciência de que vais ter que fazer aquilo e depois vais conhecer a atriz e combinar como é que vais fazer a cena. E às vezes não há ensaios… No caso, não deixa de ser uma cena duríssima de fazer, tanto para mim como para a Anabela, mas o facto de ter sido criada em conjunto, de ambos sabermos o que estamos a fazer e qual é o objetivo da cena, fez com que não tivesse sido tão dura como seria se tivesse sido criada de outra maneira. E só conseguimos fazê-la assim e só tem a importância que tem no filme e a exposição que tem, sobretudo da Anabela, porque havia uma confiança total no João Canijo e nos atores. É um filme de família.

Calha-te muitas vezes esse papel do bronco.

Nós atores, por muito ecléticos e camaleónicos que sejamos, temos sempre limitações. Eu nunca poderei fazer um esquelético, por muito que emagreça, e já emagreci bastante, para o “Alice”, por exemplo, mas nunca serei fraquinho. Agora no filme do Marco Martins sou um boxeur.

E qual é a história desse boxeur?

É um filme sobre a crise, sobre estes quatro anos que tivemos de troika. Fala-se dos números do desemprego e das pessoas que tiveram que ir para fora, o filme tenta mostrar o que é que esses números significam, em termos reais. O meu personagem é um tipo que trabalha numa fábrica, soldador, a fábrica está a ir à falência e ele volta ao boxe… E não quero contar mais. Mas, por exemplo, no “Posto Avançado do Progresso” não sou nada bronco, sou o oposto.

Gosto particularmente do momento em que, no meio da selva, o João de Mattos tira o seu lencinho branco...

Para limpar o tronco [risos]. Mas é engraçado que fui escolhido para o “Posto Avançado do Progresso” para fazer o bronco. Quando o Hugo [Vieira da Silva] me escolheu para o filme, os dois personagens eram muito parecidos. Um era mais terra-a-terra e o outro mais filosófico. Eu era o Sant’ Anna, fizemos um casting para o João de Mattos e o Hugo ainda não estava satisfeito com nenhuma das duplas e houve um dia em que resolveu fazer um casting para o Sant’ Anna comigo a fazer o João de Mattos e disse “OK, vamos fazer castings para o Sant’ Anna e vais ser tu o João de Mattos”. Quando finalmente eu já estava como João de Mattos e fizemos um casting ao Ivo [Alexandre, que interpreta Sant’ Anna], foi óbvio que funcionava a dupla. Também fisicamente porque há um lado burlesco no filme, quase de cinema mudo, de Bucha e Estica, de Buster Keaton, o que de alguma forma já está no Conrad, que apresenta estes tipos como dois colonizadores que não sabem nada de nada, que acham que são os patrões mas que na verdade andam ali perdidos como o Chaplin na fábrica. O Ivo é uma pessoa com quem eu já tinha trabalhado no teatro e com quem gostava muito de trabalhar, fiquei muito contente quando o Hugo o escolheu, percebi logo que ia dar certo. Depois começámos com um curso de composição em tempo real, aqui em Lisboa, com a Cláudia Dias, em que estivemos duas semanas a trabalhar composição em tempo real com ela e com o David [Caracol, que veio de Luanda]. Falo nisto porque é muito importante para o filme, que também fala muito da presença destes corpos num espaço que lhes é estranho.

Há muito de improvisação no filme?

Sim. Muito. Havia muitas improvisações que me lembro de, no final, falar com eles e dizer, “isto se calhar foi mais Conrad do que o texto”.

Quando, na redação, contei que vinha entrevistar o Nuno Lopes e perguntei se alguém tinha perguntas a única coisa que me disseram foi “pede-lhe para imitar um macaco”…

[Risos] Sim, da “Odisseia”.

Há pessoas que conhecem apenas o teu lado de humorista, não há?

Há pessoas que só me conhecem como DJ, o que para mim é ainda mais estranho. Perguntam-me “quando é que vais a Coura?”, “quando é que vais tocar?” e eu digo que este ano provavelmente não vou porque estou a filmar. “A filmar o quê?” Sim, eu sou ator. “Mas agora fazes filmes?”, tipo “foi uma coisa que conseguiste como DJ”? [risos]

Como é que foi isso da música?

Antes de ser ator tocava guitarra e era vocalista em várias bandas de escola. Depois não continuei, tinha-se ganho um péssimo cantor e um péssimo guitarrista, mas sempre tive essa ligação com a música. Eu morava na Bica, entretanto abriu o Funicular, que era muito frequentado por atores e convidava alguns para porem música lá. Comecei a pôr e a ter muito prazer, depois comecei a tocar vinil e a partir daí foi um vício. Para mim a música é uma espécie de bebedeira. Quando estou a tocar, estou eu, a música e as pessoas e é uma maneira saudável de me esquecer de tudo. Arranjei um trabalho para me esquecer do trabalho, na verdade.

E dançar?

Gosto. Mas gosto mais de pôr música.

E em casa, ouve-se o quê?

Para além de eletrónica? Gosto de coisas depressivas. Elliott Smith, Benjamin Clementine.

Gostas de estar sozinho?

[Pausa] Gosto… Sim, gosto. Gosto e não gosto. Mas a solidão é um tema que me interessa muito, na minha vida e na representação. Noto na minha escolha de trabalhos que é um tema que me interessa. O “Alice” é sobre solidão. Mesmo este “Posto Avançado do Progresso” tem um lado que é sobre solidão. É um tema que quer queira quer não queira está presente na minha vida e na minha carreira. Felizmente tenho muitas pessoas à minha volta que gostam de mim e que estão perto.

Não falava da solidão com essa conotação tão negativa.

Não, não. Adoro estar com pessoas mas, como é que hei de explicar isto, só consigo trabalhar a partir da uma, uma e meia da manhã e acho que tem a ver com isso, com sentir que já está toda a gente a dormir menos eu. Há um poema do Bukowski de que gosto muito, chamado “Bluebird”, em que ele diz que tem um pássaro azul dentro do peito, que mantém preso dentro de uma gaiola, e que só quando ele está a dormir é que a abre um bocadinho e o deixa cantar. Tem a ver com isso. Só consigo trabalhar quando sinto que estou realmente sozinho. Se tivesse um gato ou um cão e ele entrasse no meu escritório eu já não conseguia. Preciso dessa intimidade e dessa solidão para ir mais longe no meu trabalho e mais fundo dentro de mim. Felizmente o teatro é feito à noite, cinema é mais complicado mas dá para fazer. Tive uma vantagem com o filme do Marco Martins, que foi filmado quase todo à noite, o que era péssimo para a equipa mas ótimo para mim. Havia ali uma hora, as 4 da manhã, que era a minha hora, quando eu começava realmente [risos]. A Maria Rueff também é assim. Quando começámos a fazer o “Programa da Maria” e filmávamos à noite estávamos no auge.

Como é que chegaste ao programa?

Como em quase tudo na minha vida foi por casting. Eu gosto de fazer castings, adoro. Acho que parte da minha sorte como ator tem a ver com isso. O casting é um momento de muita pressão para a maior parte dos atores, para mim também, mas encaro-o sempre como um casting meu ao realizador. É uma maneira de perceberes se queres trabalhar com aquela pessoa ou não. Aliás, quando comecei a trabalhar com o Marco, houve logo uma conexão no casting de percebermos que a coisa ia resultar. E já me aconteceu ir fazer castings, não gostar do realizador e acabar por recusar o trabalho por causa disso. Odeio ser escolhido para um filme sem fazer casting porque não sei por que é que o realizador me escolheu. Escolheu-me com um objetivo que tem na cabeça dele e que acha que funciona, que eu não sei qual é e não sei se funciona na verdade. O “Programa da Maria” foi assim. Gosto muito de fazer comédia e a Maria Rueff foi muito importante na minha carreira.

Não surgiu por acaso então a comédia.

Quando pensei ser ator já pensava nisso. Comecei a representar depois de ter ido ver uma peça do António Feio, foi com ele que comecei a trabalhar. Via “Os Bonecos da Bola” e o Herman e a Maria Rueff, que eram referências para mim. Na família, às vezes fazia sketches. E acho muito engraçado quando vêm ter comigo e dizem “tenho um primo que faz o Chato igual a ti”, fico sempre a pensar que isso era o que a minha família teria dito de mim se tivesse encontrado o Herman ou a Maria Rueff.

Como é que foi essa história do António Feio?

Fui ver um sarau em que a minha irmã ia dançar ballet, estavam uns meninos a tocar piano e outros de 19, 20 anos, alunos do António, a apresentar uma peça. Vi e pensei que gostava de experimentar. Comecei a ter aulas com ele e passados três meses não queria fazer mais nada na vida.

Em 2009, deste-lhe o Globo de Ouro que ganhaste.

Nem pensei muito, era uma coisa que tinha que fazer, porque só estava ali porque ele existiu. Senão provavelmente estaria agora a fazer publicidade.

Voltando ao teu lado de humorista, não vimos mais nada desde a “Odisseia”.

Não fiz mais nada porque tenho estado noutros projetos, mas tenho saudades, e quero muito em breve voltar a fazer comédia.

A “Odisseia” não teve tanto sucesso como “O Último a Sair”, que muita gente não percebeu.

Havia imensa gente que vinha ter comigo e dizia, “Como é que o senhor está cá fora?” Era deste género. Ainda hoje há pessoas que acham que a “Odisseia” foi cancelada pela RTP, que não era ficção, e estava no guião desde o início. Gosto dessa brincadeira entre realidade e ficção.

Que é uma coisa que não tínhamos.

Pois, e que acho que podemos explorar mais. “Isto é a sério ou eles estão a gozar connosco?” Este limbo é uma coisa que me agrada muito explorar.

O “Posto Avançado do Progresso” foi rodado há dois anos, estás a vê-lo agora, não se torna estranho este tempo do cinema?

Quando vou ver não é tão chocante como se tivesse acabado de filmar. Neste foram dois anos, normalmente não é tanto, mas isso cria uma distância que é boa, quando vais ver o filme já consegues vê-lo sem a história na cabeça. A parte má, que é o que está a acontecer agora com o “São Jorge”, é que estou ansioso para que o filme saia, é um trabalho do qual me orgulho muito.

Já aconteceu, quando finalmente vês um filme que fizeste, não ser o que imaginavas?

Já. No “Alice” filmámos 15 dias com a Alice e ela não está no filme. Começava de uma outra maneira, não tinha nada a ver com o que é agora. E ainda bem, está muito melhor assim. Mas para um ator… quando vi o filme fiquei, “Espera aí, mas como é que vamos contar isto?” Não é a mesma história que filmámos. É melhor, mas é outra.

Revês os teus filmes muitas vezes?

Não. Quer dizer, na altura da estreia sou obrigado a ver e depois só vejo passados uns cinco ou seis anos, quando já não me lembro mesmo do filme. Aí gosto de ver para perceber coisas de acting e também para ver o filme. Finalmente. Mas qualquer pessoa que faça cinema não consegue ver um filme como um filme normal. Estamos a ver making of, constantemente. O problema de fazer cinema é que tira-te um bocadinho essa magia. Mas vejo muitos filmes, é a coisa que mais faço na vida, acho eu. É ver filmes.