Economia

Proprietários não vêm com bons olhos novo fundo de reabilitação

Os proprietários não estão satisfeitos com a nova modalidade do fundo público para a reabilitação urbana. A promessa é do governo e passa por investir, através do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, 1400 milhões de euros na recuperação de património público e na aquisição, para reabilitação e arrendamento, de património privado.


O presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, Luís Menezes Leitão acusa o Executivo de apresentar medidas contraditórias. Num dia prorroga o congelamento das rendas, o que, no entender do mesmo, não dá “nenhuma viabilidade em qualquer operação de reabilitação” e, agora prepara-se para investir num fundo para esse fim. “Os proprietários são postos a fazer o papel da Segurança Social no regime transitório e a Segurança Social é que passa a fazer as obras de que os prédios precisam?”, questiona.

Em relação ao montante investido, considera-o “um absurdo” e quanto à modalidade do fundo público em comprar prédios particulares degradados, Menezes Leitão diz que “não vai ter interesse nenhum”.

Mediadoras à espera As empresas de mediação imobiliária estão à espera de “ver para crer” e recordam que “este já é o terceiro governo que no início do seu mandato coloca como desígnio nacional a reabilitação urbana, que leva à dinamização do arrendamento”.

No entanto, o presidente da associação do sector (APEMIP), Luís Lima, reconhece que esta é uma proposta que “pode ajudar à renovação das cidades” e concorda que “haja apoios para os particulares, e não apenas para as grandes entidades, nomeadamente fundos”. Seja com unidades de participação em fundos, seja através de empréstimos com uma taxa de juro favorável.

Recorde-se que, António Costa, já tinha admitido que a aposta na reabilitação urbana “terá de ter uma forte componente de promoção da oferta de habitação para arrendamento acessível, de modo a chegar a uma faixa importante da população que hoje se encontra excluída do mercado habitacional por razões financeiras”.