Internacional

Espanha cada vez mais perto de novas eleições

Pedro Sánchez tem agora menos de um mês para conseguir formar governo. É certo que está a esforçar-se para o conseguir, mas Ciudadanos e Podemos têm dificultado a vida ao líder do PSOE. A reunião a três entre Sánchez, Albert Rivera (ciudadanos) e Pablo Iglesias (podemos) que aconteceu na passada quinta-feira foi, como já se esperava, inconclusiva.


O primeiro a falar aos jornalistas depois da extensa reunião de duas horas e meia foi o Ciudadanos e logo a partir dessa altura ficou-se a saber que a nenhum acordo se tinha chegado.

Para José Manuel Villegas, do Ciudadanos, um acordo entre PSOE e Ciudadanos com o Podemos é “impossível e inviável”. “Não descartamos em absoluto [um acordo a três], mas nas atuais condições e com propostas, acreditamos que é impossível e inviável depois da reunião de hoje”, disse o vice-secretário geral do Ciudadanos na quinta-feira.

Durante a reunião, o líder do Podemos apresentou um documento com 20 propostas que poderiam ser integradas ou negociadas no acordo entre PSOE e Ciudadanos. Propostas essas que dizem respeito a matérias económicas e medidas sociais, entre as quais se inclui o objetivo de formar um governo de mudança com os socialistas, forças de esquerda e nacionalistas e, como sempre defendeu Iglesias, sem a presença do Ciudadanos.

Para o Ciudadanos, a ideia do Podemos não era “melhorar ou alterar parte do acordo mas sim substituí-lo pelas suas propostas”. Ainda assim, ficou a promessa de que as propostas seriam estudadas. Terminado o discurso, José Manuel Villegas não punha de parte novas negociações a três pedindo ainda que o PP se juntasse. Contudo, na manhã de sexta-feira, Albert Rivera descartou a hipótese, dizendo que “não haverá mais negociações a três se o Podemos não mudar de postura”.

O PSOE continua, como sempre, a ser o mais otimista. Finda a reunião, Antonio Hernando, porta-voz do PSOE, mostrou-se confiante. “Acreditamos que a única via possível é um projeto plural que junte as três forças políticas que representam a via da mudança. Ou seja, que reúna 199 deputados ou mais. Continuamos a acreditar que podemos alcançar um acordo mas há muito trabalho pela frente”, avançou.

Para Rafael Hernando, porta-voz do PP, está mais do que entendido que um “acordo entre Podemos e Ciudadanos é impossível”.

‘PSOE viajou até ao país do Ciudadanos’

Na manhã de sexta-feira, o líder do Podemos, Pablo Iglesias falou aos jornalistas - uma vez que não o tinha feito na quinta-feira, como os restantes partidos. “Se há um título sobre a reunião é que ontem [quinta-feira] disseram não ao Podemos e disseram não a tudo”, defendeu Iglesias. “Parece que o PSOE viajou até ao país do Ciudadanos e uma vez ali sequestraram-lhe o passaporte e não o deixam sair”, criticou o líder do Podemos. Ainda assim, Iglesias anunciou que vai perguntar aos militantes do seu partido se aceitam que o Podemos apoie o acordo de governo entre Ciudadanos e PSOE, algo que já lhe tinha sido pedido numa reunião anterior. A consulta, que vai decorrer entre os dias 14 e 16 de abril, terá duas perguntas distintas: ou os militantes apoiam o pacto entre Ciudadanos e PSOE, ou escolhem a coligação de esquerda que Iglesias sempre defendeu.

Menos de 24 horas depois da reunião, o porta-voz socialista Antonio Hernando voltou a falar sobre o Podemos. “Hoje Iglesias e o Podemos fecharam a porta para a mudança que tantos milhões de espanhóis esperavam”, disse. “Vimos com indignação e com surpresa como o senhor Iglesias nunca teve a intenção” de chegar a um acordo, acrescentou.

O tempo esgota e para Villegas, do Ciudadanos é claro: ou o PP sai do seu “canto de isolamento” e se senta na mesa de negociações, ou Espanha vai novamente a eleições.

daniela.ferreira@sol.pt

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