Cultura

Capitão Fausto têm os dias contados

Contem-se os dias que para novos é que eles não vão. Os dias, claro. Depois de pesado o sol, as nuvens, uma espécie de morte anunciada sem qualquer desejo de morrer, efetivamente. O surpreendente nesta nova fase – excesso seria dizer renascer, que os rapazes, embora toquem outra sonoridade, são os mesmos – é o fim da rebeldia do acne, dos refrães dançáveis de Gazela, disco de estreia editado em 2012, ou a declaração de independência do psicadelismo, que tudo o que é intenso acaba por provocar cansaço. Pesar o Sol é coisa do passado que, se todos sabemos que nunca os vai largar, também é medida para ter em conta na hora de decidir este futuro quase fúnebre, mas porreiro, decidido, melhor até dizer crescido.

Capitão Fausto têm os dias contados

Oiça-se ‘Morro na Praia’, paquiderme orquestrado com um coro meloso que nos faz querer atirar para o chão sem plano de apoio, devagar se vai ao perto, que morrer é uma escolha que os cinco jovens decidiram não fazer. ‘Amanhã Tou Melhor’ é canção para nos guiar 2016, para ser suporte de escolhas fulcrais ou simples, como vinho ou cerveja, ser ou parecer. «Vou mas é decidir o que vou parecer, não quer dizer que é o que eu vá ser» promete ser o refrão mais repetido nos próximos tempos.

Os Capitão Fausto estão mais sérios e ponderados, tanto que este terceiro disco pode bem ser uma porrada de conselhos para a vida, uma companhia na hora do desgosto, mais ainda: uma ode à música bem feita, de sensibilidade apurada. Prova de que Tomás Wallenstein nunca pegou tão bem na caneta. Tivéssemos todos os dias contados como eles. 

 

 

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