Cultura

Querubim Lapa - Uma obra que se fez pelas ruas e Lisboa

Querubim Lapa é o artista mais representado no espaço público lisboeta. As ruas da capital - e os seus edifícios - serviram de palco para algumas das suas obras mais marcantes. Natural de Portimão, Lapa fez pintura - que considerava a sua verdadeira paixão -, desenho, gravura, tapeçaria, escultura e cerâmica, a qual acabaria por servir como seu grande cartão de visita. Inconformado e eterno opositor do Estado Novo, morreu na passada segunda-feira, aos 90 anos, na sequência de um acidente vascular cerebral. O SOL recorda a sua vida através de quatro obras emblemáticas.


É na rua Marquês de Fronteira que se encontra o Palácio da Justiça, obra para a qual Querubim Lapa criou, em 1969, seis painéis relacionados com a Lei: ‘Adão e Eva expulsos do Paraíso’, ‘O Direito que Possibilita a Paz entre os Homens e a suas Glórias’, ‘Criação de um Código’, ‘A Prática da Justiça Apoiada no Direito’, ‘Espírito da Ordem’ e ‘Temperança’.

O painel ‘A Cultura’ (1961), na Reitoria da Universidade de Lisboa, foi executado no ateliê do artista na Fábrica Viúva Lamego e seguiu o programa definido pelo então reitor, Marcello Caetano: a glorificação do trabalho intelectual.

O painel de cerâmica em baixo-relevo ‘Sol Ardente da Mexicana’ (1961), tornou-se uma imagem de marca da pastelaria Mexicana, na avenida Guerra Junqueiro, e assim continua, mesmo após as obras de renovação do espaço.

Mesmo em frente à estação de comboios de Alcântara-Mar, na avenida da Índia, fica o painel ‘Terraço’ (1994), resultado de uma encomenda da CML. Uma obra em relação à qual o artista, em 2014, se queixou do estado de degradação, e que deverá vir a ser transferida para o exterior de um edifício camarário nas Olaias.

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