Politica

Costa: uma boa notícia, uma não tão boa e uma promessa

António Costa foi ontem à SIC e deixou no ar a ideia de que haverá hoje boas notícias para os automobilistas, admitindo que poderá ser anunciada uma baixa do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos. Menos boa foi a admissão de que há medidas adicionais que podem ser postas em prática já este ano caso haja derrapagem orçamental. Mas há uma promessa: Costa vai bater o pé na Europa contra sanções.


O primeiro-ministro não quis, porém, ser ele a avançar com o anúncio da redução no Imposto sobre os Produtos Petrolífero (ISP).

Quando questionado sobre se essa redução acontecerá, António Costa começou por dizer que o ministro das Finanças "apresentará os resultados" esta quinta-feira.

Depois de alguma insistência, Costa admitiu querer deixar a Mário Centeno a possibilidade de dar uma boa notícia: "O seu a seu dono. É muito difícil ser ministro das Finanças. Também devemos deixar aos ministros das Finanças a oportunidade para darem boas notícias".

A redução será a concretização de uma promessa do Governo, já que o Executivo comprometeu-se a rever regularmente o ISP de forma a acompanhar o preço do petróleo nos mercados internacionais e manter o nível de receita fixado aquando da decisão de aumentar o imposto. Por outras palavras, atingida a receita necessária para dar resposta às exigências de Bruxelas, o imposto sobre combustíveis desce. E é isso que deve ser hoje anunciado.

Menos boa é a notícia de que o Governo tem preparado um conjunto de medidas adicionais, exigidas pela Comissão Europeia, como um plano B, para o caso de as contas falharem. Ontem, Costa admitiu que esse novo pacote de austeridade pode mesmo ser aplicado já este ano. Mas deixou uma ressalva: só se houver derrapagem.

Para já, o primeiro-ministro não acredita haver razão para acionar esse plano B. “A execução orçamental do primeiro semestre está perfeitamente em linha [com as nossas expectativas]”, reafirmou Costa.

O líder do PS aproveitou a entrevista também para deixar uma promessa que vai ao encontro do que tem sido reclamado pelos partidos mais à esquerda que apoiam o seu Governo: vai "bater o pé" na Europa para evitar as sanções que se soube ontem estarem a ser ponderadas.

"Não é razoável que a Comissão Europeia tenha aplaudido as políticas que produziram este resultado e venha agora a sancionar o país pelos resultados”, sublinhou, prometendo bater-se contra isso.

“[Não vou] deixar de fazer o meu dever que é defender os interesses do país. Não é justo aplicarem a Portugal qualquer sanção. Todos nós sabemos aquilo que os portugueses passaram nos últimos anos”, disse.

Ontem soube-se que a Comissão Europeia está a ponderar levantar um processo contra Portugal e Espanha por não reduzirem o défice excessivo no prazo que ambos os países tinham acordado com o Conselho da União Europeia, prazos esses que já tinham sido alargados pelos restantes Estados-membros.

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