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Gregório Duvivier. A vida é um palco

Um homem sozinho num palco à procura de um papel e de um sentido para a sua existência. O texto de “Uma Noite na Lua” é uma parábola da nossa vida. A nós também ninguém nos dá papeis predefinidos nem um ponto para nos guiar a existência. Somos nós que temos de o escrever enquanto respiramos. 

Gregório Duvivier já representa esta peça, e este texto, sobre a falta de texto, há mais de quatro anos. “A oportunidade veio do João Falcão, diretor e autor da peça, e que é meu amigo pessoal e meu ex-sogro. Houve um dia em que ele me disse para dar uma leitura no texto, que nunca tinha lido. Embora fosse muito famoso nos anos 90, nem cheguei a assistir no teatro. Então li e achei o texto perfeito, fiquei com muita inveja porque gostaria de ter sido eu a escrevê-lo. Como já estava escrito, resolvi interpretá-lo. Já o faço há três anos e meio [agora há mais de quatro], mas continua a ser uma grande responsabilidade.”, disse o ator em entrevista ao i, em Outubro de 2015. Em palco, Gregório Duvivier interpreta o papel de um autor sem originais. A partir da frase “um homem em cima de um palco pensando”, ele precisa construir um mundo, mas só tem uma noite para o fazer. “É um texto que emociona e faz rir ao mesmo tempo e é muito difícil quando as coisas conseguem estar nesse meio lugar, do drama e da comédia (…), porque são tidos como incompatíveis”, contou à Lusa, citado pelo Observador. “É a angústia da criação e da solidão. Fala disso, de amor e de falta de amor. Todo o mundo se identifica. Todo o mundo já amou e se sentiu sozinho, foi obrigado a criar alguma coisa, a ter uma ideia”, explicou.

Gregório Duvivier é filho de peixe sabe nadar, os seus pais eram artistas: Edgar Duvivier artista plástico e Olivia Byington cantora. Começou a representar aos nove anos de idade, no curso de teatro do Tablado. “Comecei a fazer teatro com nove anos, no Tablado, por recomendação médica. Eu era patologicamente distraído e precisava fazer alguma coisa que me ligasse com o mundo”, conta Gregório. “Vai ver por isso só me chamam para fazer personagens ‘freaks”, garante o ator ao jornal “Globo”. .Estudou dez anos no Tablado, uma escola de teatro fundada em 1951, no Rio de Janeiro, pela escritora e dramaturga brasileira Maria Clara Machado, desde o seu início já formou mais de cinco mil atores. Aos 17 anos de idade, ganhou um prémio com a sua primeira peça como profissional.  “Z.É. – Zenas Emprovisadas’. O espetáculo ganhou o Prémio Shell de Teatro em 2004, surgiu como um projeto de amigos, junto com Fernando Caruso, Rafael Queiroga e Marcelo Adnet.

Duvivier é licenciado em Letras pela PUC-Rio.

Em março de 2012, participa na criação do Porta dos Fundos. No seu site oficial reza-se esta declaração de princípios: O PORTA DOS FUNDOS é um coletivo de humor criado por cinco amigos que, insatisfeitos com a falta de liberdade criativa da TV brasileira, decidiram montar um canal de sketches de humor no YouTube.

Em três anos de existência, o grupo atingiu a incrível marca de 2 mil milhões de visualizações e mais de 11 milhões de assinantes, se tornando o maior fenómeno da Internet brasileira e um dos maiores canais do mundo. Isso é tudo que você precisa saber, e tudo o que as assessorias de imprensa divulgam sobre nós.

Mas o que ninguém sabe, e o que torna esse texto muito mais interessante, é que fomos de uma sala de 20 metros quadrados no Centro para um casarão de 4 andares onde ninguém mais se encontra, mas mesmo o escritório sendo maior, há poucos banheiros e eles cheiram mal por causa de um problema de tubulação, trocamos todas as nossas 35 cadeiras ruins e quebradas por 35 cadeiras piores ainda, mas em bom estado, alguns de nós usam portas como mesas, um dos sócios emprega 4 familiares na empresa, o que na política brasileira é considerado crime de nepotismo, e que por mais que sejamos uma empresa que trabalha com Internet, a conexão do nosso escritório é uma merda e ninguém consegue resolver isso e parece que nunca conseguirá”. Nos últimos tempos, este coletivo pluralista, parece que Gregório é o único que é vagamente de esquerda, tem sido bombardeado de ameaças, por usar fazer humor sobre os autores do impeachment, assim como faz sobre o governo do PT.  Gregório confessa, ao i, que é difícil fazer humor no Brasil. “É difícil, porque embora o humor se alimente do ódio, quando tem ódio demais ele acaba perdendo a graça, porque fica panfletário. É bastante difícil fazer humor no Brasil, por causa disso: Quando você vê, o ódio acabou contaminando o seu humor. E é muito difícil você não ter ódio nos dias de hoje.”. Talvez por isso regresse tantas vezes a Portugal. Aproveite.