Politica

Acordo acaba com greve no Porto de Lisboa

Foram precisas 15 horas de negociações, duras, em várias salas em simultâneo e até se pediram pizas para aguentar uma reunião que acabou perto da meia-noite. Mas o dia de sexta -feira acabou com um acordo que a ministra do Mar considera "bom para as duas partes".

O acordo prevê que haja contratação coletiva e vai ser suficiente para acabar com a greve que já tinha pré-anúncio até 16 de Junho.

A negociação fez cair a ameaça de um despedimento coletivo. E segundo disse o representante dos operadores do Porto de Lisboa vai trazer "a paz social" depois de um conflito que se arrasta desde 2013.

"Não foi um acordo perfeito. Foi o acordo possível", reagiu o representante do sindicato dos estivadores, António Mariano, no final da reunião, explicando que mesmo não sendo o ideal trará um "futuro mais risonho" aos trabalhadores.

Ao que o SOL apurou, entre os pontos acordados está a integração de 23 trabalhadores eventuais no quadro, a criação de um mecanismo de progressão na carreira automático e por mérito e a definição de uma nova tabela salarial.

Com o desfecho desta longa negociação que põe fim a mais de um mês de greve, António Costa cumpre o que prometeu nesta sexta-feira de manhã no Parlamento.

O primeiro-ministro tinha dito que o limite para a solução do impasse não passaria desse dia e cumpriu.

O acordo foi fechado pouco antes da meia-noite. Foi o desfecho de uma reunião de cerca de 15 horas debaixo de uma pressão intensa, com conversas entre Governo, operadores portuários e estivadores em várias salas em simultâneo.

Com a pressão para resolver o problema antes do dia acabar, foi mesmo preciso mandar vir pizas para não interromper a reunião para jantar.

O acordo alcançado é particularmente importante por acaba com uma greve estava a ter um impacto negativo na economia, com o Porto de Lisboa a perder tráfego para Leixões e para portos espanhóis e com o encarecer do transporte por exemplo para as regiões autónomas.

Mas há também uma importante vitória política para Costa neste acordo. É que a greve dos estivadores podia pôr em causa o relacionamento com os partidos à esquerda que apoiam o Governo.

BE e PCP já tinham deixado claro que em causa estava o combate à precariedade e que esse era um compromisso que fazia parte dos acordos que sustentam o Executivo.

Não alcançar um acordo que satisfizesse os trabalhadores ou deixar os operadores concretizarem a ameaça do despedimento coletivo seria um rude golpe para a geringonça.

Esta solução que, como a ministra Ana Paula Vitorino assegurou resulta de "cedências de parte a parte", vem afastar essa sombra de problemas entre Costa e bloquistas e comunistas.

António Costa tem dito que não há impossíveis e que "até as vacas podem voar". Parece que esta sexta-feira conseguiu que este bovino levantasse voo.