Internacional

Reféns do Boko Haram relatam horror em cativeiro

O rapto de crianças e jovens, principalmente do sexo feminino, é uma prática muito comum levada a cabo pelo grupo radical islâmico Boko Haram.


As raparigas que acabam por cair nas mãos do grupo terrorista têm apenas dois destinos: ou são obrigadas a executar atentados terroristas ou acabam por servir como escravas dos militantes em todos os aspetos. Umas não sobrevivem, outras acabam por viver assim para sempre. Mas há quem consiga fugir e contar o que passou durante esse tempo.

O último testemunho pertence a Amina Ali Nkek, a primeira jovem a aparecer das 276 raparigas raptadas pelo grupo islamita em Chibok, na Nigéria, em 2014. Agora com 19 anos, a jovem foi encontrada este mês na zona de Kulakasha, perto da floresta de Sambisa. Trazia nos braços um bebé e fazia-se acompanhar por um militante do Boko Haram que dizia ser seu marido. “O resto das meninas estão vivas. Estão a ser mantidas na floresta de Sambisa, um dos redutos do Boko Haram”, disse então Olatunji Olarewanju, um representante da campanha pelo resgate das raparigas de Chibok com base no testemunho de Amina. As restantes raparigas estão “sob um cativeiro terrorista bastante pesado”, acrescentou.

Amina não foi a única a sofrer nas mãos do grupo. Zara, tal como Amina, tinha apenas 17 anos quando caiu nas mãos do Boko Haram. Quando o grupo invadiu a aldeia onde morava, exigindo levá-la consigo para que fosse feita escrava, Zara não teve hipótese. Foi o próprio pai que a entregou com medo do que o Boko Haram pudesse fazer à restante família. A jovem casou pouco depois com um militante do grupo de quem teve um filho. “O sonho dele era que eu tivesse um menino. Eu não queria ter um filho de um rebelde”, contou ao New York Times. Mais tarde o marido morreu e Zara foi obrigada a viver com outro membro do Boko Haram que já tinha duas mulheres. Zara conta ainda que as violava constantemente e que queria que se tornassem mulheres-bomba. “Dizia-nos que não iria doer muito, que seria quando como uma abelha nos morde. Dizia que teríamos uma vida melhor no paraíso”, contou. Mais tarde foi libertada por militares do Governo.

Uma história de terror muito parecida é contada por Paulina. “Passámos por muito e pensei que não ia sobreviver. Vivíamos em condições degradantes e passámos fome”, contou em entrevista ao Leadership. Paulina também teve um filho de um radical islâmico e foi, tal como Zara, salva por militares do Governo.

Difícil reintegração

“O Governo pode e vai fazer o possível para garantir que o resto da sua vida tome um rumo diferente”, garantiu o Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari depois do encontro com Amina, prometendo fazer os possíveis para que a jovem volte a ser integrada na sociedade. Algo que, ainda segundo o testemunho de Zara, não será fácil. A viver em Maiduguri, na Nigéria, Zara conta que não foi bem aceite e teve mesmo que mentir em relação à criança que trazia consigo para que pudesse ser aceite. Ninguém sabe que o bebé é filho de um militante do Boko Haram. “Se soubessem que o bebé é filho de um insurgente não me deixariam ficar”, disse. A população tem medo que Zara, por ter vivido com o grupo terrorista, tenha cedido ao radicalismo.

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