Sociedade

Homem em cadeira de rodas impedido de entrar em discoteca

Um homem em cadeira de rodas foi impedido de entrar numa discoteca em Lisboa. Uma situação que está a gerar uma onda de indignação nas redes sociais.

O incidente ocorreu este fim de semana, mas ganhou destaque nas redes sociais depois de Nuno Markl ter feito um comentário sobre a questão na sua página de Facebook.

“Em poucas horas, uma notícia sobre um jovem em cadeira de rodas que, possivelmente por não se integrar no sempre espetacular conceito da "gente bonita", foi impedido de entrar numa discoteca (a não ser pagando uma quantia valente) (…)”, lê-se na publicação no humorista.

 

 

Num dos vários comentários ao post, é partilhado o link para o site Aventar, onde o protagonista da história conta na primeira pessoa o que aconteceu.

“Ao fim de 21 anos numa cadeira de rodas senti discriminação. Que sentimento horrível!”, começa a publicação de Ricardo Antunes.

Ricardo conta que foi sair com amigos para a discoteca Bosq, em Lisboa e, mal chegou à porta, reparou em algo de estanho. “Quando cheguei à porta, ainda na rua, inserido no tal grupo – éramos 15 – vi logo que algo se passava por ter reparado nos seguranças a segredar uns com os outros. Amigos houve que, após se dirigirem aos seguranças, tiveram permissão para entrar. No entanto, quando repararam em mim, algo mudou”, afirma Ricardo.

À porta, os seguranças não lhe permitiram a entrada no estabelecimento, argumentando que a discoteca não tinha rampa de acesso nem casa de banho para deficientes. “Pedimos para chamar o gerente, mas a pessoa não teve coragem de aparecer. Os meus amigos, indignados com a situação, pediram o livro de reclamações mas, como não tínhamos ainda entrado, não nos deram o livro. Mas, azar dos azares, dentro da discoteca já estavam duas amigas que tinham ido mais cedo, e foram elas que pediram o livro de reclamações e puderam manifestar a indignação por não me deixarem entrar.”, explica.

A determinada altura, um dos seguranças disse ao grupo que lhes permitiria a entrada se cada um dos elementos pagasse 300 euros. “Engraçado como se realizam milagres: se anteriormente a questão eram as condições para receber alguém numa cadeira de rodas, nomeadamente a rampa e o WC, ao fim de 30 minutos, a questão estava resolvida e era simplesmente financeira. (…) Quiseram lançar para baixo do tapete, de uma forma pouco airosa, alguém que se desloca numa cadeira de rodas. Já frequentei tantos espaços noturnos, sem rampas e WC, e nunca, mas nunca, fui tratado de tal forma. É triste ser tratado assim e dói muito.”, refere Ricardo, que destaca um segurança que referiu estar apenas a cumprir ordens.

“Nem toda a deficiência é visível, essa é que é a grande verdade”, conclui.

Esta publicação tem sido partilhada por diversas pessoas nas redes sociais e até já foi criada uma imagem a propósito do incidente.