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Messi. Um génio inconformado com a sua própria sina

O astro argentino falhou um penálti  diante do Chile na final  do Centenário da Copa América. Os chilenos sagraram-se bicampeões da competição

AP  


Lionel Messi decidiu anteontem não vestir mais a camisola da Argentina, depois de ter falhado um penálti na final do Centenário da Copa América a decorrer nos Estados Unidos da América (EUA) frente ao Chile, que acabou por se sagrar bicampeão da prova, novamente contra a mesma seleção, e outra vez nas grandes penalidades. Aos 29 anos sai como melhor marcador de sempre –  55 golos, ultrapassando Gabirel Batistuta – mas sem ter vencido um único título nas grandes competições desde que entrou para a seleção há onze anos. 

“Para mim a seleção nacional acabou. Fiz tudo o que podia, dói não ser campeão”, disse o craque argentino do Barcelona no final do encontro aos jornalistas presentes em New Jersey, onde decorreu a partida. E tomou esta decisão “pelo bem de todos”.  Porquê? “Há muita gente que deseja isto, porque não se conforma ao chegar às finais e não as ganhar, e nós também não nos conformamos”, afirmou o capitão da Argentina.

Nesta Copa, Messi apontou cinco golos. Na fase de grupos entrou contra o Panamá (5-0) para carimbar a passagem aos quartos-de-final com três golos (68’, 78’ e 87’). Seguiu-se a Venezuela (4-1) com mais um aos 60’ e depois os EUA. Aí sim, todo o génio deste craque ficou espelhado num livre-directo a 22 metros da baliza aos 32’. Simples. Parecia que desta vez os argentinos iriam vingar as outras três finais perdidas – 2004, 2007 e 2015 –  para resgatar um título que foge desde 1993. Mas não, o talento de outro planeta a que Messi nos habitoou voou para outra galáxia, porque a bola saiu muito acima do poste do guardião chileno, Claudio Bravo.

113 internacionalizações depois, Messi decide abandonar a seleção – em 2005 também falhou a conquista da Taça das Confederações e no Mundial de 2014 perdeu na final contra a Alemanha – e com ele poderão ir Sergio Aguero ou Javier Mascherano. Tentou tudo quanto pode, algo que “lhe custa mais do a qualquer pessoa”, como afirmou citado pelo jornal britânico “The Guardian”. “No entanto, é evidente que não dá mais para mim”, rematou.

Muitos dizem que esta é uma decisão a quente, e para um jogador que conquistou tudo ao serviço do Barcelona (cinco bolas de ouro, quatro Ligas dos Campeões, oito ligas espanholas, mais onze títulos), parece demasiado cedo para abandonar a camisola do seu país. Se assim for, viverá na sombra de outra lenda, Diego Maradona, que conquistou o Mundial do México em 1986. “Se não ganharem, não voltem”, disse recentemente Maradona citado pelo diário espanhol “Sport”. Parece que Messi está a seguir o seu conselho, não aguentado mais o peso da responsabilidade que carreganos aos ombros.

A sua maior conquista pela seleção foi quando tinha ainda 21 anos: ouro límpico em 2008 disputados em Pequim. A esperança de muitos adeptos que já demonstraram a sua tristeza nas redes sociais, espeicalmente no Twitter com a hashtag #NotevayasLeo (não te vás embora Leo),  é que tudo isto não passe de uma frustração momentânea. Se assim for, haverá o Mundial de 2018 na Rússia e a Copa América no ano seguinte para vencer.

Fique com alguns dos melhores golos do astro agentino na seleção: