Internacional

PSOE convoca referendo para investir Rajoy

PSOE, Podemos e Ciudadanos não querem votar em Rajoy no Parlamento, mas também não querem convocar uma terceira eleição, com medo de que o PP tenha maioria absoluta.


Mariano Rajoy será certamente convidado pelo Rei a tentar formar governo, depois das consultas aos partidos políticos no dia 19 de julho. O PP foi o grande vencedor das eleições de 26 de junho, aumentou 14 deputados, em relação às anteriores eleições de dezembro. Apesar disso, os seus 137 deputados são insuficientes para viabilizar um governo num parlamento com 350 lugares.

E se é verdade que os resultados das últimas eleições foram menos maus para o PP que as eleições de dezembro, isso não pode esconder que os resultados das últimas eleições mantêm uma situação de desgaste do PP e PSOE: o PP regista uma perda de 11 pontos percentuais e mais de 3 milhões de votos, face aos resultados obtidos nas eleições de 2011, quando foi para o governo. O PSOE regista igualmente uma perda de 6 pontos percentuais e menos um milhão e 600 mil votos, face àquelas eleições.

Mariano Rajoy já afirmou que a sua preferência vai para um executivo que tenha o apoio do PSOE, o que daria uma maioria sólida de 222 parlamentares. “Vou tentar ser investido para aprovar o orçamento de 2017, tal como garantir a aprovação das leis necessárias e cumprir os nossos compromissos europeus, com o PSOE”. Rajoy afirmou aos jornalistas que preferia essa coligação a um governo suportado por PP, Ciudadanos, PNV e Coligação Canária e Nueva Canárias, que garantiria apenas 176 deputados, maioria à justa.

No início da semana, a executiva do PSOE reuniu e declarou que não apoiaria a investidura de Mariano Rajoy no parlamento. Mas essa pode não ser a posição que os socialistas vão assumir no final do processo. Parece claro, para a maioria dos barões do partido, que a repetição das eleições poderia enfraquecer ainda mais os socialistas e dar a maioria ao PP. Mas para mudar de posição o partido teria de ser consultado. O deputado socialista José Luis Ábalos, muito próximo de Sánches, declarou ao site El Español: “Se a posição da direção do PSOE difere da recusa de apoiar um governo do PP, que é aquilo que foi defendido antes, durante e depois da campanha, terá que dar-se a voz às bases do partido para tomarem essa decisão, como se fez aquando o acordo com os Ciudadanos”.

De qualquer forma parece que ninguém entre os socialistas quer ficar com o ónus de dar o primeiro passo para viabilizar um governo de continuidade de Mariano Rajoy. A decisão terá de ser tomada no próximo Comité Federal do PSOE, que está agendado para 9 de julho. E não parece que a proposta de viabilização seja colocada pelos barões, pelo menos a fazer fé nas declarações desta quinta-feira da secretária-geral do PSOE andaluz, Susana Díaz, que recusou qualquer apoio dos socialistas a Rajoy ou a Pablo Iglesias. Díaz afirma, no entanto, que aceita a possibilidade de as bases serem consultadas sobre que decisão deve tomar o partido. “Os socialistas andaluzes não se vão colocar contra uma posição da direção federal, porque apoiamos as decisões do conjunto do partido, e se o secretário-geral quer tomar esta decisão, não vamos ser nós, os andaluzes , que vamos dizer que não”, explicou, acrescentando no entanto: “Nunca fui partidária da grande coligação, nem o serei, nem com Rajoy nem com o PP. Os votos do PSOE não podem servir de muleta de Rajoy ou de muleta de Iglesias”, alertou a dona do aparelho do partido.

Se há ainda muitas complicações no apoio dos socialistas a um governo de Rajoy, a posição de Albert Rivera parece ter evoluído. O líder dos Ciudadanos começou esta semana por reafirmar que não apoiaria um governo dirigido por Mariano Rajoy. Estas declarações levantaram objeções até no seio do seu próprio partido. Rivera tentou propor ao PP negociações conjuntas com o PSOE. Não queria uma mesa de líderes, queria uma equipa de negociações dos três partidos que apelida de ‘constitucionalistas’ (partidos contra a possibilidade de se efetuarem referendos de autodeterminação na Catalunha e País Basco). Depois da recusa do presidente do PP em participar numa reunião a três, Rivera está disponível para acudir a um encontro com Rajoy. No entanto, os Ciudadanos afastam a possibilidade de participar num governo com o PP, PNV, CC e Nueva Canárias, que somaria 176 deputados, com o argumento que não farão parte de nenhum governo com forças nacionalistas, por mais moderadas que sejam.